quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Agosto: Mês das Vocações

Precisamos de Profetas

Marcelo Barros
Monge beneditino e escritor
Quem passa por um edifício em construção, pode ver placas dizendo: "Precisamos de pedreiros”. Lojas de comércio alternam: "Precisamos de vendedores”. Infelizmente não podemos colocar nas portas das Igrejas: "Precisamos de profetas e profetizas”. Entretanto, é bom espalhar por aí que isso é uma necessidade urgente e que se apresentem os/as candidatos/as. Não estranhem o fato de que, diferentemente de outros ofícios, a missão de profeta quase nunca é bem aceita e reconhecida. Muitas vezes, gera até incompreensões e rejeições injustas. No tempo em que viveu no sertão do Nordeste, o padre Alfredo Kunz dizia: "Aqui, os urubus é que fazem o serviço de limpeza pública, já que as prefeituras não assumem. Todo mundo sabe disso. Entretanto, eu já vi gente criando todo tipo de pássaros, mas nunca vi ninguém criar urubu. Os urubus são necessários, mas ninguém os quer perto. Urubus me lembram os profetas de Deus, necessários, mas frequentemente rejeitados”.

Não é difícil celebrar a memória de profetas mortos. O evangelho denuncia que os fariseus e mestres da lei matam os profetas e depois erguem para eles belos túmulos, contanto que continuem mortos (Mt 23). Atualmente, em certos ambientes eclesiásticos, quando alguém fala em profetas como Mons. Oscar Romero, arcebispo de El Salvador, assassinado por militares da ditadura salvadorenha e, aqui no Brasil, Dom Hélder Câmara, ex-arcebispo de Olinda e Recife, há quem os elogie, mas conclua com certo cinismo: "o tempo deles era outro. Hoje não pode mais ser assim”. E assim, estes religiosos dos tempos novos se recolhem em seu mundinho de paramentos, ritos paroquiais e segredos de cúria.

Para quem a espiritualidade significa caminho de amor e solidariedade universal, o mês de agosto recorda a memória de vários mártires da justiça do reino divino. No dia 10 de agosto de 1974, frei Tito Alencar, terrivelmente torturado em seu corpo e sua alma, procurava a paz na morte. No 12 de agosto de 1983, na Paraíba, era assassinada Margarida Alves, presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande. Além de vários homens e mulheres que deram a vida pela causa do Reino, em agosto, partiram deste mundo três bispos católicos que marcaram muito a caminhada da Igreja no Brasil como profetas da paz e da justiça: Dom Antônio Fragoso, bispo emérito de Crateús, no Ceará e um dos primeiros bispos ligados à Teologia da Libertação; Dom Luciano Mendes de Almeida, arcebispo de Mariana, MG, e ex-presidente da CNBB que, em 2006, partiu no dia 27 de agosto, mesma data em que, sete anos antes, no Recife, nos tinha deixado Dom Hélder Câmara.

A missão de uma pessoa religiosa é ser testemunha da presença divina no mundo e atuar para que a sociedade se transforme de acordo com o projeto divino de paz e justiça para todos. Por isso, é bom recordarmos a profecia de pastores como Hélder Câmara, Antônio Fragoso e Luciano Mendes de Almeida. Todos os três, cada qual em sua área de atuação e do seu modo, conduziram a Igreja do Brasil pelo caminho da profecia.

Na memória destes três profetas da Igreja, nos damos conta da herança profética que recebemos e, junto com cristãos, pessoas de outras confissões e todos os homens e mulheres que acreditam no amor e na justiça, renovamos nosso compromisso de serviço aos irmãos e luta pacífica para transformarmos este mundo.

Em 1994, Dom Helder mandava esta mensagem ao movimento italiano Mani Tesi (Mãos Estendidas): "Não estamos sós. Por isso, não aceito nunca a resignação nem o desespero. Um dia, a fome será vencida e haverá paz para todos. A última palavra neste mundo não pode ser a morte, mas a vida! Nunca pode ser o ódio, mas o amor! Precisamos fazer com que não haja mais desespero e sim esperança. Nunca mais vençam as mãos enrijecidas contra o outro e sim o que o movimento de vocês valoriza: Mãos estendidas! Unidas na solidariedade e no amor para com todos”.

[Autor de 40 livros, dos quais o mais recente é "Para onde vai Nuestra América” (Espiritualidade socialista para o século XXI). São Paulo, Ed. Nhanduti, 2011. Email: irmarcelobarros@uol.com.br].

Só pra lembrar...

Foi nos anos 70, mais precisamente no ano de 1976, quando as primeiras Irmãs Josefinas chegaram nas terras missionárias acrianas, então Prelazia do Acre e Purus. Na foto as Irmãs: Lídia, Tereza, Maria Soares e Miranda na Comunidade da Colônia Souza Araújo, com D. Rosita, D. Maria Luiza e Pe. André Ficarelli, por ocasião de uma das visitas da Superiora Geral à missão do Acre. A pequena "Chiquinha" se recuperando de uma desnutrição sob os cuidados das Missionárias.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

20 Anos sem D. Rosita!

Rosita, Mãe e Amiga!
Rosita, Rosa de Amor! 
Foste enamorada do teu Senhor!
Amada-Amante do Criador!
Viveste como serva do Bem Maior.
Teu Deus e teu tudo era teu Salvador. 

Hoje, 19 de Agosto, celebramos vinte anos da volta de nossa querida D. Rosita Paiva, Fundadora do Instituto Josefino, à casa do Pai. A saudade ainda dói quando fazemos memória, mas a certeza de saber nossa intercessora no céu é nossa alegria.


 Alguns pensamentos de D. Rosita que nos servem de meditação e encorajamento:
- Cada dia que passa é graça que o bom Deus me dá.
- Eu ando... e nos meus passos Deus caminha no mundo.
- Anunciar que Cristo ressuscitou será minha tarefa missionária.
- O mais importante no teu trabalho missionário será o teu próprio exemplo.
- Faze-te Missionária pela oração, pelo sacrifício e pela esmola.
- Ser perfeita é ser fiel à graça da minha vocação.
- Amor, só amor, muito amor, é o que me pede meu Deus e Senhor.
- A vida é um dom do Bom Deus que devemos agradecer muito.
- Olha com teus olhos de grande amor, a graça imensa que te faz teu Senhor e Deus, chamando-te a segui-lo.
- Sê hóstia pequenina ao lado da grande Hóstia.

Meu Deus e meu Tudo!
O que é que te darei?!
Por mim fizeste tudo:
por Ti, o que farei?

Amar-te eu bem quizera!
Amar-Te tanto, tanto!
Meu bem! Ah! quem me dera
Morrer deste amor santo!
                (...mãe e amiga: Rosita Paiva)

"O meu Purus"
Por entre a imensa verde Amazônia
Vai o "meu Purus". Como é lindo!...
correndo livre, sem cerimônia
Dia e noite sempre servindo.

O "meu Purus" é uma riqueza
E um dos mais lindos do planeta
Fico encantada com sua beleza
De árvores, pássaros e borboletas.

"Meu Purus" vai deslizando fino
Com suas volumosas águas bonitas
Admirando-o, gostaria de cantar um hino.

Foi nestas águas que ainda pequenita
Quando não sabia ainda o seu destino
Foi batizada nossa querida Rosita.

 

Rumo ao X Capítulo Geral Josefino

Estamos encerrando hoje o terceiro encontro de preparação ao Capítulo Geral. Desde ontem estamos reunidas na Casa Regional em Rio Branco, num encontro muito harmonioso e dinâmico, nos preparando para vivenciar o nosso X Capítulo Geral Eletivo do Instituto Josefino. Foram momentos ricos, de muita espiritualidade e vivência fraterna.
Ontem, iniciamos com uma linda celebração rica em simbologias e bem participada, concluindo com a Leitura Orante da Palavra de Deus a partir do texto bíblico de Is. 50,4-9.
À tarde refletimos sobre o tema do Capítulo em si, na co-responsabilidade com a vida e a missão. 
"Capítulo é tempo de um olhar novo sobre nossa vida e missão, de reimpulsionar a busca de concretização de nosso Carisma/Opção aqui e agora, neste nosso tempo. O Capítulo vivido na busca do impulso do Espírito, é sempre um Kairós na vida da Congregação. Através do Capítulo Geral um Instituto é chamado a lançar um olhar de amor e de compaixão sobre o mundo que o circunda, no qual vive e ao qual é enviado em missão."

Hoje, o segundo dia, celebramos os vinte anos da volta de D. Rosita à casa do Pai. Iniciamos o dia com a Celebração Eucarística em memória de D. Rosita. Numa celebração simples, fizemos a memória de sua vida, ensinamentos, testemunho, vivência da Palavra de Deus expressa em muitas de suas frases que guardamos com muito carinho. Depois, demos continuidade ao conteúdo do dia com estudos em grupos e outras dinâmicas e a escolha prévia das novas Conselheiras Gerais.



quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Missão Josefina na França


Queridas Irmãs,
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
Estamos muito bem, graças a Deus. Visitamos alguns lugares turísticos da  região. Os Padres estão muito contentes com a nossa vinda.
Hoje foi um dia maravilhoso em Quimper.  Fomos apresentar as Irmãs ao bispo Dom Le Vert. Ele nos recebeu com muito carinho e alegria. Mostrou-nos a casa das Irmãs, muito bem preparada, com todas as condições. Alguns detalhes deixou para que elas escolhessem depois que chegassem. Perguntou se elas estavam com medo. Disse que estava muito confiante que tudo iria dar certo e ia fazer tudo para que elas se sentissem. No final da visita ele mesmo foi buscar para elas mochila, colchão portátil, garrafa térmica, chapéu  outros assessórios para o encontro em Madri. O bispo disse que estava muito feliz com as Josefinas por que São José é o Santo preferido dele. Na entrada do bispado tem um imagem de São José.
Elas estão muito felizes, lindas e maravilhosas, muito animadas. Já nos encontramos com o Padre Michel (um jovem) e um leigo que vão trabalhar com elas. Eles foram super acolhedores. Só existem três religiosas jovens na diocese, com elas vão ficar cinco.
 A fundação da casa não será agora, mas em setembro, depois que chegarem de Madri e do Curso de Línguas. O Bispo vai fazer uma apresentação delas para os Padres e leigos da Diocese e na Catedral.
Muito obrigada pelas orações, continuem rezando.
Abraço a todas
Bernadete

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

JUBILEU DE OURO DE ORDENAÇÃO SACERDOTAL

 A Diocese de Rio Branco está em festa. Estamos celebrando com muita alegria o Jubileu de Ouro de Ordenação Sacerdotal de D. Moacyr, o Bispo do Povo.
Parabéns, Dom! 
Nossa gratidão pela vida doada, tornando-se o "último de todos e o servo de todos" (Mc.9,35).
Transcrevo aqui as palavras de um poeta que sintetizou os sentimentos de todo um povo:
"Parabéns, Dom Moacyr!!!
De Turvo-SC, saíste e as nossas águas turvas bebeste, 
e por aqui ficaste, 
pregando e vivendo o NOVO, com este POVO, de quem te tornaste Pastor, por escolha e por amor,
de um Deus Pai, Mãe, Espírito e Irmão, 
e, neste chão, semeaste o viver em abundância do Evangelho: teu e nosso farol, e de sol a sol, vieste semeando primaveras, quem nem sempre deram flores, mas que no entardecer deste século de violência, teu testemunho e vivência, nos ensinam o radicalismo do amor...
Por isso, nosso pastor, recebe deste povo que sempre te quer ver sorrir, nosso muito obrigado, nossos parabéns, cidadão Grechi e Pastor Moacyr...!"

Outro poeta ainda escreveu:
"Doa a tua vida,como Maria aos pés da cruz.
E serás Servo de cada vivente,servo por amor,
sacerdote da humanidade.   
Caminhavas no silêncio esperando além da dor
Que a semente que tu lançavas
Num bom terreno germinasse.
Mas o coração exulta, porque o campo já está dourado
E o grão maduro pelo sol no celeiro pode entrar."

D. Moacyr é parte deste povo acriano, sempre!
E eu, com o coração pleno de gratidão, ofereço uma prece e o meu apreço, por tudo o que ele simboliza para mim, meu grande Amigo e incentivador na Vida Missionária e Religiosa. 
Obrigada, Dom. Moacyr, por tudo!!