Março/2004-Julho/2007
Timor Leste ou Timor Lorosa’e é parte de
uma ilha que está situada no Arquipélago das Pequenas Ilhas Sonda, ao sul da
Ásia a 500 Km
a norte da Austrália.
Possui uma superfície de 19.000 Km2,
sendo 265 Km
de comprimento e 92 Km
sua largura máxima. A Ilha é essencialmente montanhosa, o clima é tropical com
uma estação seca e outra chuvosa. A
mais nova Nação do mundo, Timor Leste, compõe parte desta ilha, cuja capital é Dili. Timor Leste possui 35 línguas
nativas e, pela Constituição, o Tetum e o Português são línguas oficiais.

Em março de 2004, fui enviada
pela minha Congregação e pela CNBB para a Missão em Timor Leste através do
Projeto Missionário de Solidariedade entre as Igrejas do Brasil e Timor Leste.
Cheguei à Missão no dia 30 de março acompanhada pela Ir. Máris Bolzan, então
Presidente da CRB e pelo Pe. Francisco Moser, Missionário italiano que também
seguia para a Missão. Lá encontrei as Irmãs que me precederam e com as quais ia
formar Comunidade na Estação Missionária de Laléia, Paróquia de Manatuto: Ir.
Beatriz Mohr, da Congregação das Irmãs da Divina Providência e Ir. Maria
Helena, das Irmãs Preciosíssimo Sangue e, na Estação Missionária de Laclubar,
Paróquia de Soibada: Ir. Elenice Buoro e Ir. Eliane Costa Santana, das Irmãs de
S. José de Chambéry e Ana Jacira, leiga consagrada do Instituto Milmac. Desde a
chegada no aeroporto de Comoro em Dili, senti-me bem acolhida pelas Irmãs que
lá estavam. Depois, na Comunidade também pude sentir o carinho e a acolhida do
povo com o gesto da imposição do TAIS. Gesto característico e muito
significativo de acolhida do povo timorense a quem chega. Assim é que durante a
nossa primeira Missa na Comunidade de Laléia,
colocaram o Tais nos nossos ombros: em mim, no Pe. Francisco e na Ir. Máris.
Ir. Máris permaneceu conosco em Timor Leste durante
duas semanas, momento em que fez reuniões com o grupo, pode ouvir e conversar
com cada uma, teve encontro com o Bispo de Baucau, D. Basílio e, fez vários
contatos, regressando depois ao Brasil no dia 10 de abril.
Meus primeiros quatro meses na
Missão foram de adaptação e aprendizagem: da língua, dos costumes, do jeito
próprio de viver, do conhecimento da realidade. Tudo era novo, tudo diferente,
era necessário aprender tudo, como criança nos seus primeiros meses de vida,
assim eu me sentia. E foi como criança que se entrega aos ensinamentos dos
adultos que eu comecei a viver em Timor Leste. Foram momentos difíceis, mas de
muita aceitação. Neste tempo ainda participei de vários eventos Eclesiais e
Religiosos, como: Páscoa Jovem e Ordenação Sacerdotal, na Paróquia de Ermera.
Para mim, este foi um momento de entrada na cultura timorense, visto que aconteceram
muitas manifestações culturais a começar pela ornamentação do ambiente, as
roupas típicas, mulheres e homens vestidos com vestes tradicionais, a música e
a dança, o “banquete”, os rituais, etc. A Sagração Episcopal do Primeiro Bispo
Residencial de Dili, D. Alberto Ricardo da Silva, numa grande solenidade no
Largo de Lecidere em Dili com a participação de muitos Bispos de fora, dezenas
de Padres, Seminaristas e uma grande multidão de fiéis; Votos Religiosos de
Religiosas de várias Congregações; Encontro Intercongregacional de Religiosas e
Religiosos de Língua Portuguesa da Diocese de Baucau.
Neste período, ainda fiz uma
experiência de uma semana no ISMAIK (Instituto Secular Maun-Alin Iha Kristu),
convivendo e partilhando o modo de vida comunitária timorense, na montanha em Dare. Foi uma
experiência muito rica e válida para o começo da Missão em Timor Leste. Aí
pude conhecer e experimentar o ritmo de vida, o jeito de rezar, o contato com
as crianças, as comidas do dia-a-dia, os costumes, enfim partilhar a vida.

Com a Comunidade do Ismaik
Enquanto isso, ia convivendo, conhecendo
a realidade, me comunicando (do meu jeito) com as pessoas, acompanhando os
trabalhos da Pastoral da Criança, Capacitações,
Celebrações da Vida, Reuniões, Encontros de Formação, Visitas, etc.,
como também, estudando a língua local – o Tétum e, providenciando a
documentação para o Visto de permanência no país.
Neste período também, pude me
preparar e celebrar junto com a Comunidade Paroquial de Laléia, meu Jubileu de
Prata de Vida Religiosa, como Josefina, o que me deixou muito feliz por poder
partilhar esta minha alegria na Missão. Foram momentos de muita vida e
espiritualidade. A Comunidade inteira se mobilizou para que tudo fosse bem
organizado e preparado. E foi uma festa linda, simples e bem preparada tanto a
Celebração Eucarística como o momento de confraternização. Vários Padres,
Religiosos e Religiosas se fizeram presentes e a Comunidade inteira participou.
Foi um tempo de Graça que me fez louvar e agradecer a Deus que faz maravilhas e
confirmou em mim aquilo que trago comigo e que se tornou o meu lema de vida: “sei em quem acreditei” (2Tm.1,12).
Depois, juntamente com Ir.
Helena, comecei a dar os primeiros passos na Pastoral da Criança na Diocese de
Baucau. Fazíamos juntas as capacitações de Líderes nas Paróquias aonde ia sendo
implementada a Pastoral.

Aos poucos fui sendo introduzida
nos trabalhos paroquiais e comecei a trabalhar com um grupinho de Meninas
Adolescentes que depois elas próprias batizaram com o nome de “Grupo de
Adolescentes S. José”. Esta iniciativa foi mais de interesse meu para aprender
a língua Tétum, de maneira mais simples e familiar. Na realidade aconteceu uma
troca de aprendizado, pois enquanto eu aprendia o Tetum, elas intensificavam o
Português que aprendiam na Escola. Com este Grupo, comecei a trabalhar a
metodologia e espiritualidade da Infância Missionária, e tinha como objetivo a
formação humana e espiritual das Adolescentes, assim como também trabalhar a
auto-estima, visto que todas vinham de famílias com traumas da guerra. Este
grupinho foi se tornando muito significativo para mim, juntando-se a ele a
Alice e o Camilo, duas crianças que conheci também neste tempo e que muito me
sensibilizaram.

Grupo S. José
Em setembro deste ano, chegou Ir. Rita de Jesus Miranda, da Congregação das Irmãs Escolares de Nossa Senhora, para uma Missão específica na Pastoral da Aids, numa cooperação do Ministério da Saúde do Brasil. Ir. Rita integrava a Comunidade de Laléia, mas precisava morar em Dili por conta do seu trabalho de articulação com Organizações afins.
Ao final do primeiro ano, já
sabia rezar o Pai Nosso (em Tétun), já estava bem familiarizada com a língua e
assim podia ajudar mais as pessoas e a Comunidade.

Preparação para Crisma – Igreja de Laléia
Neste final de ano uma das nossas
colegas, Ir. Beatriz Mohr voltou ao Brasil, depois de ter ficado 04 anos e meio
na Missão. Desta forma, ficamos apenas duas em Laléia, eu e Helena na esperança
de que chegasse logo outra Missionária para completar a Comunidade. Com a saída de Ir. Beatriz, assumi, juntamente
com Fr. José Luis, os cuidados da menina Alice, criança órfã que morava na
Estação Missionária de Cairuí, criada pela tia materna e em estado de
desnutrição. Estávamos sempre em contato, orientando e ajudando no seu
desenvolvimento e nutrição. Alice, com seu jeitinho tímido e travesso, me
conquistou e me ensinou a amar todas as crianças timorenses com seus pezinhos
descalços, seus olhos negros como jabuticaba e o sorriso sempre nos lábios. É
lindo o sorriso das crianças timorenses... E foi contemplando o sorriso das
crianças, que vi Jesus nascer em
Timor Leste pela primeira vez.
Natal, meu
primeiro em Timor!
Eu
vi Jesus nascer em Timor
Leste :
Vi-O
nascer em cada criança que nasce
e
renascer na esperança e resistência deste povo guerreiro.
Eu
vi Jesus nascer em Samalai, no olhar triste do Camilo
e
em Cairui no corpinho magro da Alice.
Eu
vi Jesus nascer nas crianças, agora livres e sorridentes,
num país que nasceu das cinzas, mas que agora também é livre.
Eu
vi Jesus nascer na montanha,
na
ribeira, no mar, na esteira...
Eu
vi Jesus nascer....

“O amor de Deus me impeliu a uma nova realidade, a uma nova Missão:
Timor Leste. Eu sonhei, a CNBB/CRB desafiou e Deus fez acontecer. E assim já
faz um ano que aqui estou pisando neste chão bendito. Chão de gritos e dores,
chão de suor e mortes, sangue derramado e dispersão do povo pela guerra, chão
de sofrimentos pela fome, pobreza, doenças, terra seca, falta de
infra-estruturas básicas de vida, chão queimado e marcado pelas ruínas e
destroços da guerra. Mas é, sobretudo, um chão fértil para se lançar a semente
do Evangelho, um chão aberto para acolher a novidade de Jesus e seu Reino.
Timor Leste é ainda uma criança (apenas quatro anos), a mais nova nação do
mundo, aprendendo a dar os primeiros passos, por isso, é tempo também de
sonhar, é hora de semear a paz e a esperança e reconstruir o país, onde as
pessoas tenham seus direitos respeitados e vivam sua cidadania com dignidade.” (Escritos do
Diário da Missão).
No segundo ano de Missão (2005),
já conhecia um pouco mais a realidade e a língua, as pessoas e os trabalhos a
desenvolver. Mas ainda faltava muito, era
preciso fincar os pés no chão e na realidade, entrar na cultura e
conquistar a confiança do povo, viver junto para sentir e conhecer a fundo o
que vivem e como vivem, enfim, partilhar a vida. E foi a partir desta
necessidade que me empenhei mais a aprender a língua, a conversar mais com as
pessoas sobre suas histórias de vida, seus problemas e suas necessidades, sua
vida e sua cultura. Esta aproximação valeu a conquista da confiança e da
amizade. Neste segundo ano fui me afirmando e consolidando na Missão,
aperfeiçoando-me cada vez mais no Tétum, podendo até mesmo desenvolver uma boa
conversação, fazer encontros, participar de reuniões.

Leitura Orante da Palavra de Deus na
várzea Visita Missionária em Raibu
A proporção que o tempo passava,
os trabalhos iam aumentando: na Pastoral da Criança, agora se expandindo para
outras Paróquias: Laclubar, Ossu, Baucau, Laléia, era preciso acompanhar de
perto as Líderes com formação e acompanhamento sistemático, nas Celebrações da
Vida, nos encontros periódicos, nas Visitas, encontros com as mães, etc. Nos
Trabalhos Pastorais Paroquiais: na Catequese com a Formação de
Catequistas, no acompanhamento ao Grupo Bíblico e Escola Bíblica, na
participação nos Conselhos Pastorais e Econômico, com o Grupo de Adolescentes
S. José, no atendimento as Estações Missionárias de Cairui, Samalai, Hatukarau.
Enfim, nas visitas domiciliares do dia-a-dia, no atendimento as pessoas que nos
procuravam, na visita e comunhão aos doentes e tantas outras coisas que
aparecem no cotidiano da vida missionária, que não é diferente de outras
missões.

Pastoral da Criança em
Waelakama
Encontro com Jovens em Ostico

Criança de Samalai (irmão do
Camilo)
Pastoral da Criança em Laléia
Neste ano, só duas Missionárias
estavam em Laléia: eu e Helena. Neste período recebemos a visita de D. Erwin
Kraütler que, em nome do COMINA, veio nos visitar e fazer Retiro anual conosco.
Sua visita foi positiva, mas ficou a desejar por ter sido pouco tempo e não
pode fazer uma boa avaliação do Projeto conosco. Recebemos também a visita do
Irmão Claudino, Provincial dos Irmãos Maristas do Brasil que, estando em visita
aos seus Irmãos em Timor
Leste , também visitou as Missionárias Brasileiras em nome do
Comina.
Neste ano vários acontecimentos
marcaram a vida da Igreja de Timor Leste:
¨
O falecimento inesperado dos Padres: Domingos da
Cunha (Pároco de Manatuto) e Mário Belo (Vigário Geral da Diocese de
Baucau);
¨
A manifestação da Igreja contra a nova proposta
de Currículo Escolar que propunha que o Ensino Moral e Religioso nas Escolas fosse
disciplina facultativa, o que não agradou a Igreja e, convocou os cristãos a
saíram às ruas para reivindicar.
¨
As Estações Missionárias de Laclubar e Laléia
(onde estão as Missionárias Brasileiras) são elevadas a categoria de Paróquia.
Laclubar que pertencia a Paróquia de Soibada, agora tem como Pároco Pe.
Francisco Sequeira e Laléia que pertencia a Paróquia de Manatuto, agora tem
como Pároco Fr. Fernando Alberto, OFMCap.
¨
A Ordenação Sacerdotal de 05 (cinco) novos
Sacerdotes na Diocese de Baucau. Nós participamos da Missa Solene e depois das
“Missas Novas” dos Neo-Sacerdotes.
Finalmente, em outubro chegou a
nossa companheira Ir. Zélia, da Congregação das Irmãs da Divina Providência.
Agora sim, a Comunidade de Laléia ficou completa. Ficamos felizes e louvamos a
Deus por isso.
E em dezembro Ir. Helena
terminou o seu período de Missão em Timor Leste e regressou ao Brasil, ficando mais
uma vez Laléia com duas Missionárias.
Ir. Zélia, em fase de adaptação,
de entrada na cultura, Ir. Helena de volta ao Brasil e eu, nesta transição. E
foi neste contexto que celebramos o nosso Natal/2005 e entrada do Ano
Novo/2006.
Com a saída da Helena, assumi a
Coordenação da Pastoral da Criança em nível de
Diocese. Dando continuidade ao trabalho que acompanhei desde que
cheguei, começaram a aparecer vários pedidos de Novas Capacitações, Visitas e
implementação da Pastoral em Paróquias que ainda não existiam. Preparei agenda
e Equipe de Capacitação e continuei o trabalho. Assim a Pastoral foi se
expandindo pela Diocese a fora.

Pastoral da Criança em Laléia
Pastoral da Criança em Cairuí

Pastoral da Criança em Ossu
Pastoral da Criança em Laclubar
Em março deste ano (2006) chegaram mais duas
Missionárias: Ir. Vera Lúcia Palermo (Salvatoriana) e Lúcia de Fátima Cardoso
(Leiga) e, regressaram ao Brasil as duas Missionárias Irmãs de S. José de
Chambéry: Elenice e Eliane que moravam em Laclubar. As duas que
chegaram foram morar em Laclubar, juntamente com a Leiga Consagrada Ana Jacira,
que já estava lá. Com a chegada das duas, o grupo tornou-se mais coeso, os
encontros mensais e as visitas mais freqüentes.

Missionárias
Brasileiras - 2006
Nós, em Laléia alimentávamos a esperança
da chegada da nossa nova companheira, assim como da visita de Ir. Márian
Ambrósio, Assessora da Dimensão Missionária da CNBB e Coordenadora do Projeto,
prevista para julho deste ano.
Neste ano, a partir da
manifestação de protesto dos mais de 500 soldados do Exército que foram
expulsos da Corporação FDTL (Força de Defesa de Timor Leste), deu-se início a
uma onda de conflitos que Timor Leste vive até os dias de hoje. A divisão do
país entre Lorosa’e e Loromonu, a crise política, a distribuição de armas, a
formação de gangs e quadrilhas, jovens revoltados, resultou numa anarquia total
na cidade de Dili, onde bairros inteiros foram incendiados e milhares de
famílias, abandonando suas casas, se refugiaram em acampamentos improvisados ao
lado de Igrejas, Conventos e Seminário, onde sentiam-se mais seguros. O povo
ficou sem rumo, sem expectativas, numa total insegurança, a ponto de o Governo
pedir reforços a ONU que mandou as Forças de Paz Internacional para ajudar.

Campo de Refugiados – Seminário Diocesano Campo de Refugiados – Igreja
de Motael
Foi neste contexto que recebemos
a visita de Ir. Márian que veio, trazendo a nossa nova companheira, Ir.
Ivanilde Rodrigues, da Congregação das Irmãs Mercedárias. Ir. Márian, nesta sua
visita, fez encontros com as Missionárias, com os Bispos das duas Dioceses: D.
Basílio e D. Ricardo, vários contatos com Congregações Religiosas e Seminário,
reorganizou e deu novo rumo ao o Projeto e orientou o nosso Retiro anual. Foi
uma visita muito proveitosa.
Também recebemos a visita da Dra.
Zilda Arns, Fundadora e Coordenadora Nacional da Pastoral da Criança do Brasil
e da Assessora Ana Ruth Góes. Elas visitaram alguns trabalhos da Pastoral nas
duas Dioceses, fizeram vários encontros com Entidades Governamentais e Não
Governamentais, Unicef, Universidades e, deixaram encaminhada a proposta de
convênio com o Governo Federal através do Primeiro Ministro José Ramos Horta.

Pastoral da Criança acolhe Dra Zilda e Ana Ruth Encontro com o Ministro da
Saúde Dr. Rui

Encontro
com Unicef – Dr. Alejandro
Ao contrário do ano anterior,
quando eu e Helena fazíamos o mesmo trabalho na Pastoral, este ano eu continuei
na Pastoral da Criança e Zélia, na Formação dos Seminaristas, dando aulas no
Seminário Maior em Dili e assessorando Congregações Religiosas, seja na
Formação Inicial ou Permanente. Com a chegada de Ir. Ivanilde, a situação
melhorou, pois uma já não ficava muito tempo sozinha quando a outra saía. Ela
começou a ser introduzida nos trabalhos da Pastoral da Criança, fazendo visitas
e acompanhando as Paróquias, visto que ela daria continuidade a este trabalho.
Terminamos o ano de 2006, com uma
linda confraternização de Natal e um passeio turístico-histórico na zona sul do
país, onde conhecemos a cidade de Suai e visitamos a Igreja, onde aconteceu o massacre
de 06⁄09⁄99, que ficou conhecido como “A Tragédia do Setembro Negro”, onde
foram mortos 03 padres e dezenas de pessoas. O passeio de modo geral, foi muito
bom, foram momentos muito ricos de partilha, fraternidade, amizade, tanto entre
nós as sete Missionárias, como com as pessoas que nos acolhiam ou que
encontrávamos pelo caminho e, assim pudemos sentir que a Missão acontece também
nestes momentos, pois o Ser Missionário mais do que fazer, é Ser.

Confraternização Natalina das Missionárias Igreja de
Suai destruída em 99

Interior da Igreja
Local de homenagem aos mortos da tragédia
A Missa de Ano Novo celebramos e
participamos junto com a Comunidade, agradecendo a Deus pelas graças recebidas
neste ano que passou e pedindo bênçãos e paz para o novo ano que chega. Paz,
muita paz é disto que Timor Leste precisa neste momento e é o clamor que se
ouve da boca de todo o povo. Apesar das Forças de Paz Internacional, os
conflitos continuam em Dili, surgindo aleatoriamente ora aqui, ora acolá,
deixando o povo numa insegurança total e os Refugiados sem poderem voltar para
suas casas, ou porque foram totalmente destruídas, saqueadas e queimadas ou
porque não encontram segurança para isto. E assim passou um ano e já quase dois
anos e o Governo não consegue resolver esta situação.
Começamos o ano de 2007 cheias de
esperanças de um ano melhor e de Paz para Timor Leste, levando em conta que este
é um ano de eleições majoritárias no País, onde escolhe-se o Presidente e
depois o Primeiro Ministro e o Parlamento.
No início do ano celebramos o
Natal com o Grupo S. José, num passeio que fizemos a Manatuto. Depois, fiz 03
dias de Retiro no Carmelo em Hera para rezar um pouco, ficar sozinha, coordenar
as idéias e me preparar para o meu regresso ao Brasil. Este meu último semestre
de Missão em Timor Leste ,
foi de prestação de contas, relatórios, repasse e encaminhamentos de trabalhos,
pastas e documentos, visitas, etc. Precisava aproveitar cada minuto que era o
último na Missão. E assim fui repassando as minhas responsabilidades para quem
ficava. E a partir do mês de maio, cada visita era uma despedida, até chegar o
dia 29 de julho quando a Comunidade fez a última despedida e o meu envio de
volta ao Brasil.

Despedida
Bênção do Envio na Comunidade Paroquial
Antes de sair, porém, ainda tive
oportunidade de acolher novamente Ir. Márian que veio nos visitar trazendo mais
duas Missionárias: Ir. Marlene Oliveira, minha colega de Congregação das Irmãs
Josefinas e, Ir. Helena Barbosa, que voltava à Missão e que foi minha
companheira no início.
Sem pensar em concluir:
Ao final de três anos e quatro
meses na Missão em Timor
Leste , posso sentir o quanto eu aprendi, cresci como
Missionária e amadureci como pessoa. Assim como também pude perceber a grande
diferença, a transformação das pessoas com as quais eu convivi e/ou tive
contatos. Coloco alguns exemplos: a espontaneidade no relacionamento com as Irmãs, o cultivo da
auto-estima, o aperfeiçoamento da língua portuguesa, a própria qualidade de
vida.
A minha Missão em Timor Leste foi uma
grande graça recebida, dom de Deus Missionário que é fiel e que não desperta um
sonho impossível. Ser Missionária em Timor Leste foi uma experiência gratificante e
profunda do Amor de Deus na minha vida. Repito: “Eu sonhei, a CNBB/CRB desafiou e Deus fez acontecer”. O meu sonho de Missão não acaba por aqui,
agora sinto-me ainda mais inquieta e desafiada a enfrentar outras
realidades, pois uma vez Missionária, Missionária sempre!
A Missão em Timor Leste , que antes
era um sonho, um desafio, agora é uma realidade na minha vida, na minha memória
afetiva. Porém, sinto que ainda há muito que fazer lá. O Projeto é bom, mas tem
suas limitações, no sentido do tempo: Um tempo limitado de três anos numa
Missão como esta, fica a desejar. É tempo apenas para aprender a língua, pôr os
pés no chão da cultura e da realidade e, já é hora de voltar. Na realidade, agora que eu estava preparada
para começar um trabalho junto ao povo. Por falar em aprender a língua, penso
que, quem vai para a Missão é importantíssimo aprender a língua local antes de
chegar lá, se não aprender totalmente, mas pelo menos ter uma noção básica.
Isto é imprescindível, se queremos valorizar o povo e penetrar na cultura a que
somos enviadas.
Seja como for, agradeço a
CNBB/CRB, pelo desafio, por interpelar as Congregações a dar um pouco de sua
pobreza em favor dos nossos irmãos e irmãs mais desfavorecidos, porém amados, do Timor Leste. Sou feliz e grata por
ter participado e podido dar minha colaboração no Projeto Missionário de
Solidariedade entre as Igrejas Brasil e Timor Leste.
Um obrigada ao meu Deus que me escolheu, me chamou e me quis
para colaborar na construção do seu Reino, anunciando e testemunhando seu Amor
Misericordioso!
Um obrigada a minha Congregação que, atendendo o apelo de
Missão da Igreja, me enviou como colaboradora, dando assim um pouco da sua
pobreza!
Um obrigada a minha família que me ofereceu como dom ao povo
de Timor Leste!
Aos Amigos e Amigas que me acompanharam no meu dia-a-dia
missionário com seu carinho e oração, tornando-se desta forma, Missionários e
Missionárias comigo!
Um obrigada às minhas companheiras de Missão, com quem
partilhei a vida: a dor, a solidão, o medo, mas sobretudo, a alegria de VIVER a
Missão e SERVIR a Deus no Povo Timorense!
Ir. Maria Nieta Oliveira, IJ
Missionária Brasileira em Timor Leste
Março/2004-Julho/2007

Congresso da Catequese em Los
Palos
Estação Missionária de Hatukarau

Visita Pascal em Hatukarau
Visita Missionária em Raibu

Companheiras de Missão: Zélia e Ivanilde Meninas do
Grupo S. José

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