quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

2013: coragem para se renovar. Artigo de Leonardo Boff


"A crise atual perdura e se aprofunda porque os que controlam o poder tem conceitos ultrapassados, refutados pelos fatos e incapazes de oferecer respostas", escreve Leonardo Boff, teólogo, filósofo e escritor.
Eis o artigo.

Há mais de quinze anos atrás publiquei no Jornal do Brasil, um artigo com o título “Rejuvenescer como águias”. Relendo aquelas reflexões me dei conta de como elas são ainda atuais e adequadas aos tempos maus sob os quais vivemos e sofremos. Retomo-as e aprofundo-as para alimentar nossa esperança enfraquecida pelas ameaças que pesam sobre a Terra e a Humanidade. Se não nos agarrarmos a alguma esperança, perdemos o  horizonte de futuro e corremos o risco de nos entregarmos ao desamparo imobilizador ou à resignação estéril.  Neste contexto lembrei-me de um mito da antiga cultura mediterrânea sobre o rejuvenescimento das águias.
De tempos em tempos, reza o mito, a águia, como a fenix egípcia, se renova totalmente. Ela voa cada vez mais alto até chegar perto do sol. Então as penas se incendeiam e ela toda começa a arder. Quando chega a este ponto, ela se precipita do céu e se lança qual flecha nas águas frias do lago. E o fogo se apaga. Mas através desta experiência de fogo e de água, a velha águia rejuvenesce totalmente: volta a ter penas novas, garras afiadas, olhos penetrantes e o vigor da juventude. Seguramente este mito constitui o substrato cultural do salmo 103 quando diz:”O Senhor faz com que minha juventude se renove como uma águia”.

Para entender esse relato, precisamos revisitar Gaston Bachelard C.G. Jung que entendiam muito de mitos e de seu sentido existencial. Segunda esta interpretação, fogo e água são opostos. Mas quando unidos, se fazem poderosos símbolos de transformação.

O fogo simboliza o céu, a consciência e as dimensões masculinas no homem e na mulher. A água, ao contrário, a terra, o inconsciente e as dimensões femininas no homem e na mulher.

Passar pelo fogo e pela água significa, portanto, integrar em si os opostos e crescer na identidade pessoal. Ninguém ao passar pelo fogo ou pela água permanece intocado. Ou sucumbe ou se transfigura, porque a água lava e o fogo purifica.

A água nos faz pensar também nas grandes enchentes como conhecemos em 2010 nas cidades serranas do Estado do Rio. Com sua força tudo carregaram, especialmente o que não tinha consistência e solidez. São os infortúnios da vida.

O  fogo nos faz imaginar o cadinho ou as fornalhas que queimam e acrisolam tudo o que  é ganga e não é essencial. São as notórias crises existenciais. Ao fazermos esta travessia  pela “noite escura e medonha”, como dizem os mestres espirituais, deixamos aflorar nosso eu profundo sem as ilusões do ego. Então amadurecemos para aquilo que é em nós autenticamente humano e verdadeiro. Quem recebe o batismo de fogo e de água rejuvenesce como a águia do mito antigo.
 
Mas abstraindo das metáforas, que significa concretamente rejuvenescer como a águia? Significa entregar à morte todo o  velho que existe em nós para que o novo possa irromper e fazer o seu curso. O velho em nós são os hábitos e as atitudes que não nos engrandecem: a vontade de ter razão e vantagem em tudo, o descuido consigo mesmo, com a casa, com nossa linguagem e com o desrespeito para com a natureza, bem como a falta de solidariedade para com os necessitados, próximos e distantes. Tudo isso deve ser entregue à morte para podermos inaugurar uma forma de convivência com os outros que se mostre generosa e cuidadosa com a nossa Casa Comum e com o destino das pessoas. Numa palavra, significa morrer e ressuscitar.

Rejuvenescer como águia significa também desprender-se de coisas que um dia foram boas e de ideias que foram luminosas mas que lentamente, com o passar dos anos, se tornaram ultrapassadas e incapazes de inspirar um caminho para o futuro. A crise atual perdura e se aprofunda porque os que controlam o poder tem conceitos ultrapassados, refutados pelos fatos e incapazes de oferecer respostas.

Rejunecer como águia significa ter coragem para recomeçar e estar sempre aberto a escutar, a aprender e a revisar. Não é isso que nos propomos a cada  novo ano?

Que o ano de 2013 recém inaugurado, seja oportunidade de perguntar o quanto de galinha existe em nós que não quer outra coisa senão ciscar o chão  e o quanto de águia há ainda em nós, disposta a rejuvenescer ao confrontar-se valentemente com os tropeços e as crises da vida e buscar um novo paradigma de convivência.

E não podemos esquecer aquela Energia poderosa e amorosa que sempre nos acompanha e que move o inteiro universo. Ela nos habita, nos anima e confere permanente sentido de lutar e de viver. Seu nome é  Spiritus Creator que nunca nos pode  faltar senão perdemos a vitalidade e a esperança.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Crianças da Missão
































Lembranças Missionárias no Acre


Rio Purus - Seringal S. Francisco
 Alguém me descobre nestas fotos? É só o começo da Missão no Acre (Manoel Urbano), na década de 80.

Seringal Sardinha - Colocação Juruá


Balsa - alagação do Rio Purus
Lembrança póstuma da Luzia Lúcia, nossa companheira de missão




sexta-feira, 11 de janeiro de 2013




Os protestantes alemães instam ao Papa retirar a excomunhão a Lutero

Margot Kässmann, de 54 anos, desempenha desde abril de 2012 o cargo de “embaixadora de Lutero” para o Jubileu de 2017 que comemorará o quinto centenário do início da reforma de Lutero aos 31 de outubro de 1517. Com este motivo, ao longo de 2017 se realizará na Alemanha uma série de importantes atos em torno à Reforma protestante e ao próprio Martinho Lutero.

Kässmann tem sido bispa da Igreja Evangélica Alemã – a EKD (segundo suas siglas em alemão) – a maior organização protestante da Alemanha e reside na localidade alemã de Mannheim.

Por seu cargo, Kässmann participa na coordenação desta efeméride, que os evangélicos alemães querem que sirva para dar a conhecer o verdadeiro significado que supôs a Reforma da Igreja que Lutero iniciou no campo espiritual, na sociedade e na História.

O Papa e a excomunhão de Lutero
Kässmann expressou, numa entrevista publicada no Mannheimer Morgen, que espera que Bento XVI revogue como papa a excomunhão que ainda pesa sobre o fundador do protestantismo.

Uma excomunhão que se materializou através da Bula Decet Romanum Pontificem, firmada por Leão X em janeiro de 1521, e que Martinho Lutero queimou publicamente ao recebê-la.

Para Margot Kässmann chegou o momento de eliminar esta aresta entre católicos e protestantes e que se produza um “gesto de boa vontade”. Que já sejam cinco os séculos que dura a excomunhão de Lutero não é, em si mesmo, um obstáculo para Käsmann, já que tampouco, “em 1984, ninguém previu a queda do Muro de Berlim” e esta ocorreu.

A representante da EKD utiliza vários argumentos para fundamentar sua posição, como, por exemplo, que muitas comissões ecumênicas concluíram que a excomunhão a Martinho Lutero “é teologicamente injustificável”, além do valor simbólico positivo de retirar esta bula.

Outro argumento que menciona é que também o pedem muitos católicos, alguns como o conhecido teólogo Hans Küng, embora este teólogo não seja o melhor exemplo de ortodoxia católica, já que está ameaçado de sanção pelaCongregação para a Doutrina da Fé (antes Santo Ofício) por suas reiteradas opiniões contrárias à Doutrina e ao Magistério católico-romanos.

Além disso, para Kässmann, o diálogo ecumênico e o fato de que católicos e protestantes assistam juntos a diferentes cerimônias com cada vez maior frequência é outro motivo suficiente para que se produza este gesto de reconciliação entre católicos e protestantes.
 
(Reportagem publicada no portal Protestante Digital.)