quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Missão é Partir

Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si,
quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso Eu.
É parar de dar volta ao redor de nós mesmos
como se fossemos o centro do mundo e da vida.
É não se deixar bloquear nos problemas
do pequeno mundo a que pertencemos:
A humanidade é maior.
Missão é sempre partir, mas não devorar quilómetros.
É sobretudo abrir-se aos outros como irmãos,
descobri-los e encontrá-los.
E, se para descobri-los e amá-los, é preciso atravessar os mares
e voar lá nos céus,
então missão é partir até os confins do mundo.

Dom Helder Camara

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

É NATAL MAIS UMA VEZ!



É Natal mais uma vez!
E Jesus continua nascendo
Nos corações...
da criança, do jovem, do velho,
dos homens e mulheres.
É Natal mais uma vez!
E eu já vi Jesus nascer
Em muitos espaços e de várias maneiras
Hoje, aqui vejo Jesus nascer sem muita perspectiva
De meninas que se tornam mães precocemente
Meninas indefesas, exploradas, violentadas...
Meninas que se tornam mulheres antes da hora
Meninas e Meninas!
Crianças que geram crianças!
E Jesus também nasce aí!
Jesus também nasce nos meus pobres versos
Sem rima, sem harmonia,
Porque Ele nasce no coração de quem Ama.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Lazer dos Catequistas!



Nosso encontro foi um misto de retiro espiritual e lazer. Muito bom e proveitoso. Só perdeu quem não foi. Agora terá que esperar o próximo.

domingo, 12 de dezembro de 2010

O Amor está no ar

O Amor está no ar,
Vem do Norte, do Sul…
Vem de todo o lado
E por onde passa
Deixa o seu rasto de perfume

O Amor está no ar,
Vem vestido de branco,
Vem vestido de amarelo
E por onde passa
Cativa, deslumbra, enternece

O amor está no ar,
E já o vejo
E já o sinto pulsar
Por onde andaste, pergunto.
Em resposta, o Meu Amor… diluiu-se

O amarelo corou o champanhe
O branco fundiu-se
nos meus lábios.

E contemplamos
Ramelaus e Matebians,
Praias e mares,
Noites e dias
Revestidos de Margaridas.

Sim, eu vejo-te

Vejo-te lá longe, mas vejo-te.
Teu corpo dançante, eu vejo.
Teu olhar penetrante, eu vejo.
Teu sorriso rasgado, eu vejo.
Tuas mãos doadas, eu vejo.
Sim, lá longe, mas vejo-te.

Vejo-te lá longe, mas vejo-te.
Com justas lágrimas, mas vejo-te.
Com eterna juventude, eu vejo-te.
Com brilho nos lábios, eu vejo-te.
Com teu coração quase partido, eu vejo-te.
Sim, lá longe, eu vejo-te e beijo-te.

Espera um pouco por mim.
Tenho para te limpar as lágrimas
Um lindo lenço do mais puro linho,
Pintado num dos cantos uma margarida.
E no canto inverso: “AMO-TE”

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Eu fiz você criança!

E disse Deus a Humanidade:
Olhe, eu fiz você criança para que sempre possa
abrir uns olhos novos e rir diante da morte
ou se voltar a mim, alvoroçada de medo ou de esperança,
sentir-me Papai, Mamãe, ternura!

Eu fiz você criança para que brinque sempre
Com todo esse brinquedo do universo infinito.
Sem quebrá-lo, porém,
E sem se machucar, minha pequena!
Sempre brincando juntos, os irmãos e as irmãs,
Iguais no jogo!

Agora começamos mais um novo milênio,
Para você brincar...

Não vá crescer demais.
Não querer soltar-se de minha mão, pequena!
Não vá fazer da vida
Um banco, um mercado, um navio de guerra!

Venha, me olhe, bem no face a face:
Não está vendo meus olhos em seus olhos?
Cada dia amanheço neste breve horizonte
De seus dias, pequena...
Cada noite aconchego sua lua espantada.
Sempre estou acolhendo
Seus tropeços, seus sonhos, seu amor, sua vida,
Que é minha, pequena!


Pedro Casaldáliga

O Crocodilo que se fez Timor

Há muitos séculos, um crocodilo vivia num pântano. Este crocodilo sonhava crescer, ter mesmo um tamanho descomunal. Mas a verdade é que ele não só era pequeno, como vivia num espaço apertado. Tudo era estreito à sua volta, somente o sonho dele era grande.
O pântano é de ver. É o pior sítio para morar. Água parada, pouco funda, suja, abafada por margens esquisitas e indefinidas. Ainda por cima, sem abundância de alimento ao gosto de um crocodilo.
Por tudo isto, o crocodilo estava farto de viver naquele pântano, mas não tinha outra morada.
Ao longo do tempo, milhares de anos, o que ia valendo ao crocodilo era ele ser um grande conversador. Enquanto estava acordado, conversava, conversava… É que este crocodilo fazia perguntas a si mesmo e, depois, como se ele próprio fosse o outro, respondia.
De qualquer maneira, conversar assim, isoladamente, durante séculos, esgotava os assuntos. Por outro lado, o crocodilo começava já a passar fome. Por dois motivos: primeiro, porque naquele charco havia pouco peixe ou outra bicharada que lhe conviesse para refeição; segundo, porque, só muito ao largo, passava caça de categoria e tenra - cabritos, porquitos, cães…
Muitas vezes, exclamava para si próprio:
- Que grande maçada viver com tão pouco, e num sítio destes!
- Tem paciência, tem paciência, dizia a si próprio.
- Mas viver de paciência, ter paciência não é coisa que alimente um crocodilo, recalcitrava-se-lhe.
Naturalmente que tudo tem um limite. Incluindo a resistência à fome. E o crocodilo entrou a sentir uma fraqueza que lhe quebrava o ânimo e o definhava. Os seus olhos iam-se amortecendo e já quase não podia levantar a cabeça e abrir a boca.
- Tenho de sair deste lugar e procurar caça mais além…
Esforçou-se, galgou a margem e foi ganhando caminho através do lodo da areia. O sol estava a pino e aquecia a areia, transformando todo o chão em brasa. Não havia safa, o crocodilo perdia o resto das suas forças e ia ficar ali assado.
Foi nesta altura, que passou pelo sítio um rapazinho vivaz, que exprimia os seus pensamentos cantarolando.
- Que tens, Crocodilo, ah! Como tu estás? Tens as pernas partidas, caiu-lhe algo em cima?
- Não, não parti nada, estou completamente inteiro, mas, apesar de ser de pequeno corpo, há muito não agüento com meu próprio peso. Imagina que já não tenho forças para sair deste braseiro.
Respondeu o rapazinho:
- Se é só isso, posso ajudar-te. E, logo em seguida, deu uns passos, carregou o crocodilo e foi pô-lo à beira do pântano.
No que o rapazinho não reparava, era que, enquanto carregava o crocodilo, ele se animava a ponto de arregalar os olhos, abrir a boca e passar a língua pela serra dos seus dentes.
- Este Rapazinho deve ser mais saboroso do que tudo o que provei e vi em toda a minha vida. Imaginava-se lhe dar uma chicotada com a cauda para adormecê-lo e, depois, devorá-lo.
- Não sejas ingrato, diz-lhe o outro com quem ele conversava e que era ele mesmo.
- A fome tem os seus direitos.
- Isso é verdade, mas olha que trair um amigo é um ato indigno. E, este é o primeiro amigo que tens.
- Então, vou deixar-me ficar na mesma e morrer de fome?
- O rapazinho te fez o que é preciso, salvou-te. Agora, se quiseres sobreviver, trabalha e procura alimento.
- Isso é verdade…
E quando o rapazinho o pousou no chão molhado, o crocodilo sorriu, dançou com os olhos, sacudiu a cauda, e disse-lhe:
- Obrigado! És o primeiro amigo que encontro. Olha, não posso dar-te nada, mas se pouco mais conheces que este charco, aqui, tão à nossa vista, e se um dia quiseres passear por aí fora, atravessar o mar, vem ter comigo…
- Gostaria mesmo, porque o meu grande sonho é ver o que mais há por este mar afora.
- Sonho… falaste em sonho? Sabes, eu também sonho, arrematou o crocodilo.
Separaram-se, sem que o rapazinho sequer suspeitasse de que o crocodilo chegara a estar tentando a comê-lo. E, ainda bem.
Passados algum tempo, o rapazinho apareceu ao crocodilo. Já quase não o reconhecia. Via-o sem sinais das queimaduras, gordo, bem alimentado.
- Ouve, crocodilo, o meu sonho não parou e eu não agüento mais cá dentro.
- O prometido é prometido… Aquele meu sonho… Mas com tanta caça que tenho arranjado, quase me esquecia dele. Fizeste bem em vir lembrar-mo, rapazinho. Queres, agora mesmo, ir por esse mar afora?
- Isso, só isso, Crocodilo.
- Pois agora eu também. Vamos então.
Ficaram ambos contentes com o acordo. O rapazinho acomodou-se no dorso do Crocodilo, como se fosse numa canoa, e partiram para o alto mar.
Era tudo tão grande e tão lindo!
O mais surpreendente para os dois, era o próprio espaço, o tamanho do que se estendia à sua frente e para cima, uma coisa sem fim. Dia e noite, noite e dia, nunca pararam. Viam ilhas de todos os tamanhos, de onde as árvores e as montanhas lhes acenavam. E as nuvens também. Não sabiam se eram mais bonitos os dias ou as noites, se as ilhas ou se as estrelas.. . Caminharam, navegaram, sempre voltados para o sol, até o Crocodilo se cansar.
- Ouve-me, rapazinho , não posso mais! O meu sonho acabou…
- O meu não vai acabar.
Ainda o rapazinho não tinha dito a ultima palavra, o crocodilo aumentou, aumentou de tamanho, mas sem nunca perder a sua forma primitiva, e transformou-se numa ilha carregada de montes, de florestas e de rios.
É por isso que Timor tem a forma de Crocodilo.


Esta é uma das muitas lendas da cultura timorense.

Hino da Josefina Missionária

Enviado pelo Espirito, vim aos pobres proclamar
Do Evangelho a Boa Nova,  dos aflitos a esperança
Os cativos libertar.
 
Josefina Missionária, eis aí tua missão.
Anuncia o novo reino, neste mundo de injustiça
Que exclui tantos irmãos.

Da pequena Galiléia de Jesus ressoa a voz:
"Ide, a todos batizai, o meu nome proclamai,
Não me afastarei de vós".

Novo método e ardor, nova evangelização
Novo tempo, novo jeito, Jesus ontem,
Hoje e sempre será nossa salvação.

Se eu ando e nos meus passos, Deus caminha neste mundo,
Muitos hão de abraçar  A missão além - fronteiras,
Que é o apelo mais profundo.