sexta-feira, 3 de abril de 2020

Partindo para outra Missão


MISSÃO É PARTIR...


Estamos vivenciando no Instituto Josefino momentos lindos e desafiantes de Missão: Expandindo nossa Missão na Amazônia, onde Deus através do Papa Francisco nos convida a ”alargar o espaço da nossa tenda Josefina... alongar as cordas e firmar bem as estacas” (Is. 54,2), ser uma Igreja em saída; Experiência Missionária em Moçambique, na Diocese de Pemba, participando e colaborando com o Projeto Missionário Intercongregacional da CRB. Tudo isso é graça de Deus. Louvemos, agradeçamos e nos coloquemos a disposição.

“O Senhor me enviou para uma grande missão.”

Aqui refletindo como são as coisas de Deus. Ele cria, recria, chama, envia, cuida e faz tudo como lhe apraz. Em menos de um ano, minha vida deu uma reviravolta. Mas tudo preparado com antecedência, por Ele!


Foi no ano de 1983, mês de fevereiro. Eu, Juniorista trienal, juntamente com mais duas junioristas e uma Professa Perpétua, que deixamos a nossa  terra, nosso chão nordestino, para partilhar a sorte e a vida do povo amazônida, em terras acreanas. E partimos, com o coração cheio do amor de Deus e o desejo de servir e “anunciar a Boa Nova a toda criatura” (Mc.16,15-18). Nessa viagem estavam conosco D. Rosita e D. Zeneida Fontenele, sempre atentas às nossas necessidades. Ao chegar ao Acre, depois de 3 dias de viagem, fomos acolhidas pelas Irmãs que lá estavam, naquela alegria e animação do encontro, bem típico nosso.

Manoel Urbano foi minha primeira experiência. Era ainda muito jovem e aquele povo me acolheu e me ensinou a Ser Missionária. Ribeirinhos, Seringueiros, Colonos, Indígenas, Trabalhadores, pais e mães de família, jovens, crianças... todos, aos poucos, foram me moldando e me fazendo ver e compreender uma outra realidade, um outro jeito de ser Igreja, uma outra cultura. E, sem perceber, fui bebendo e assimilando tudo aquilo. E no dia-a-dia, fui entendendo que o povo não quer muito, quer uma presença, uma palavra, um gesto acolhedor nos momentos marcantes da vida e que a Religiosa, a Irmã tem um lugar específico na sua vida, torna-se referência. E foi assim que fui vivendo e convivendo nas três Comunidades onde morei, ora em Manoel Urbano, Casa Regional em Rio Branco e Comunidade da Vila Pia (BR 364, km 52).


 


Nesta vivência e convivência, o meu ser missionário pedia mais, algo me inquietava no desejo de ir além. Até que surgiu o apelo da CRB Nacional, que solicitava Irmãs para colaborar numa Missão Além Fronteiras, no Projeto de Solidariedade entre as Igrejas Brasil e Timor Leste. E, com o apoio e bênção de D. Socorro Beleza (na época Superiora Geral) e seu Conselho, fui enviada para aquela Missão, depois substituída pela Marlene Oliveira, para a glória de Deus. Missão que me fez crescer e amadurecer como ser humano e como  Religiosa e Missionária. Timor Leste ficou no meu coração, simbolizado pelas belas e altas montanhas, assim como o Acre, simbolizado pelo grande e majestoso Rio Purus.







Depois de 35 anos de presença no Regional Acre, “o Senhor me chamou para uma nova missão” e eu, sem muito entender, mas com o coração aquecido e inquieto, respondi “sim” e, finalmente deixei a Missão do Acre. A proposta inicial seria deixar o Acre para o Amazonas, Missão na Prelazia de Lábrea, isso seria fácil, pois permaneceria no mesmo Regional, na mesma Região Amazônica. O que eu não sabia era que Deus tinha outros planos pra mim. E assim, depois de ouvir os apelos da CRB Nacional, através da Rede Missionária Intercongregacional, algo me inquietou ainda mais. Já não conseguia mais parar de pensar no apelo para ajudar o povo do Haiti ou de Moçambique. E me coloquei a disposição. E Ele se agradou de mim. E mais uma vez, me escolheu e me enviou!

E pelo mundo eu vou cantando seu amor!

E assim eu irei cantando e anunciando o Amor de Deus no Continente africano. 
Mas não vou sozinha, junto comigo, vai cada um/uma que reza e torce pela fecundidade da Missão; vai todo o Instituto Josefino que doa de sua pobreza e oferece um de seus membros para participar do Projeto; vai a CRB que me envia assim como toda a Igreja do Brasil.

Rezem por mim, para que eu seja fiel a tão grande Missão.

Nieta Oliveira
Fortaleza, 19/03/2020

“O Senhor me enviou para uma grande missão.”





terça-feira, 1 de outubro de 2019

Mês Missionário - 2019


MENSAGEM DE SUA SANTIDADE
O PAPA FRANCISCO
PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES DE 2019
[20 de outubro de 2019]

      Batizados e enviados: 
a Igreja de Cristo em missão no mundo
Resultado de imagem para dia das missões 2019
(Linda e significativa mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Missões)

O título desta mensagem – «batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo» – é o mesmo do Outubro Missionário. A celebração deste mês ajudar-nos-á, em primeiro lugar, a reencontrar o sentido missionário da nossa adesão de fé a Jesus Cristo, fé recebida como dom gratuito no Batismo. O ato, pelo qual somos feitos filhos de Deus, sempre é eclesial, nunca individual: da comunhão com Deus, Pai e Filho e Espírito Santo, nasce uma vida nova partilhada com muitos outros irmãos e irmãs. E esta vida divina não é um produto para vender – não fazemos proselitismo –, mas uma riqueza para dar, comunicar, anunciar: eis o sentido da missão. Recebemos gratuitamente este dom, e gratuitamente o partilhamos (cf. Mt 10, 8), sem excluir ninguém. Deus quer que todos os homens sejam salvos, chegando ao conhecimento da verdade e à experiência da sua misericórdia por meio da Igreja, sacramento universal da salvação (cf. 1 Tm 2, 4; 3, 15; Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, 48).

A Igreja está em missão no mundo: a fé em Jesus Cristo dá-nos a justa dimensão de todas as coisas, fazendo-nos ver o mundo com os olhos e o coração de Deus; a esperança abre-nos aos horizontes eternos da vida divina, de que verdadeiramente participamos; a caridade, que antegozamos nos sacramentos e no amor fraterno, impele-nos até aos confins da terra (cf. Miq 5, 3; Mt 28, 19; At 1, 8; Rm 10, 18). Uma Igreja em saída até aos extremos confins requer constante e permanente conversão missionária. Quantos santos, quantas mulheres e homens de fé nos dão testemunho, mostrando como possível e praticável esta abertura ilimitada, esta saída misericordiosa ditada pelo impulso urgente do amor e da sua lógica intrínseca de dom, sacrifício e gratuidade (cf. 2 Cor 5, 14-21)!


Sê homem de Deus, que anuncia Deus (cf. Carta ap. Maximum illud): este mandato toca-nos de perto. Eu sou sempre uma missão; tu és sempre uma missão; cada batizada e batizado é uma missão. Quem ama, põe-se em movimento, sente-se impelido para fora de si mesmo: é atraído e atrai; dá-se ao outro e tece relações que geram vida. Para o amor de Deus, ninguém é inútil nem insignificante. Cada um de nós é uma missão no mundo, porque fruto do amor de Deus. Ainda que meu pai e minha mãe traíssem o amor com a mentira, o ódio e a infidelidade, Deus nunca Se subtrai ao dom da vida e, desde sempre, deu como destino a cada um dos seus filhos a própria vida divina e eterna (cf. Ef 1, 3-6).


Esta vida é-nos comunicada no Batismo, que nos dá a fé em Jesus Cristo, vencedor do pecado e da morte, regenera à imagem e semelhança de Deus e insere no Corpo de Cristo, que é a Igreja. Por conseguinte, neste sentido, o Batismo é verdadeiramente necessário para a salvação, pois garante-nos que somos filhos e filhas, sempre e em toda parte: jamais seremos órfãos, estrangeiros ou escravos na casa do Pai. Aquilo que, no cristão, é realidade sacramental – com a sua plenitude na Eucaristia –, permanece vocação e destino para todo o homem e mulher à espera de conversão e salvação. Com efeito, o Batismo é promessa realizada do dom divino, que torna o ser humano filho no Filho. Somos filhos dos nossos pais naturais, mas, no Batismo, é-nos dada a paternidade primordial e a verdadeira maternidade: não pode ter Deus como Pai quem não tem a Igreja como mãe (cf. São Cipriano, A unidade da Igreja, 4).

Assim, a nossa missão radica-se na paternidade de Deus e na maternidade da Igreja, porque é inerente ao Batismo o envio expresso por Jesus no mandato pascal: como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós, cheios de Espírito Santo para a reconciliação do mundo (cf. Jo 20, 19-23; Mt 28, 16-20). Este envio incumbe ao cristão, para que a ninguém falte o anúncio da sua vocação a filho adotivo, a certeza da sua dignidade pessoal e do valor intrínseco de cada vida humana desde a concepção até à sua morte natural. O secularismo difuso, quando se torna rejeição positiva e cultural da paternidade ativa de Deus na nossa história, impede toda e qualquer fraternidade universal autêntica, que se manifesta no respeito mútuo pela vida de cada um. Sem o Deus de Jesus Cristo, toda a diferença fica reduzida a ameaça infernal, tornando impossível qualquer aceitação fraterna e unidade fecunda do gênero humano.



O destino universal da salvação, oferecida por Deus em Jesus Cristo, levou 
Bento XV a exigir a superação de todo o fechamento nacionalista e etnocêntrico, de toda a mistura do anúncio do Evangelho com os interesses econômicos e militares das potências coloniais. Na sua Carta apostólica Maximum illud, o Papa lembrava que a universalidade divina da missão da Igreja exige o abandono duma pertença exclusivista à própria pátria e à própria etnia. A abertura da cultura e da comunidade à novidade salvífica de Jesus Cristo requer a superação de toda a indevida introversão étnica e eclesial. Também hoje, a Igreja continua a necessitar de homens e mulheres que, em virtude do seu Batismo, respondam generosamente à chamada para sair da sua própria casa, da sua família, da sua pátria, da sua própria língua, da sua Igreja local. São enviados aos gentios, ao mundo ainda não transfigurado pelos sacramentos de Jesus Cristo e da sua Igreja santa. Anunciando a Palavra de Deus, testemunhando o Evangelho e celebrando a vida do Espírito, chamam à conversão, batizam e oferecem a salvação cristã no respeito pela liberdade pessoal de cada um, em diálogo com as culturas e as religiões dos povos a quem são enviados. Assim a missio ad gentes, sempre necessária na Igreja, contribui de maneira fundamental para o processo permanente de conversão de todos os cristãos. A fé na Páscoa de Jesus, o envio eclesial batismal, a saída geográfica e cultural de si mesmo e da sua própria casa, a necessidade de salvação do pecado e a libertação do mal pessoal e social exigem a missão até aos últimos confins da terra.


A coincidência providencial do Mês Missionário Extraordinário com a celebração do Sínodo Especial sobre as Igrejas na Amazônia leva-me a assinalar como a missão, que nos foi confiada por Jesus com o dom do seu Espírito, ainda seja atual e necessária também para aquelas terras e seus habitantes. Um renovado Pentecostes abra de par em par as portas da Igreja, a fim de que nenhuma cultura permaneça fechada em si mesma e nenhum povo fique isolado, mas se abra à comunhão universal da fé. Que ninguém fique fechado em si mesmo, na autorreferencialidade da sua própria pertença étnica e religiosa. A Páscoa de Jesus rompe os limites estreitos de mundos, religiões e culturas, chamando-os a crescer no respeito pela dignidade do homem e da mulher, rumo a uma conversão cada vez mais plena à Verdade do Senhor Ressuscitado, que dá a verdadeira vida a todos.


A este respeito, recordo as palavras do Papa Bento XVI no início do nosso encontro de Bispos Latino-Americanos na Aparecida, Brasil, em 2007, palavras que desejo transcrever aqui e subscrevê-las: «O que significou a aceitação da fé cristã para os povos da América Latina e do Caribe? Para eles, significou conhecer e acolher Cristo, o Deus desconhecido que os seus antepassados, sem o saber, buscavam nas suas ricas tradições religiosas. Cristo era o Salvador que esperavam silenciosamente. Significou também ter recebido, com as águas do Batismo, a vida divina que fez deles filhos de Deus por adoção; ter recebido, outrossim, o Espírito Santo que veio fecundar as suas culturas, purificando-as e desenvolvendo os numerosos germes e sementes que o Verbo encarnado tinha lançado nelas, orientando-as assim pelos caminhos do Evangelho. (...) O Verbo de Deus, fazendo-Se carne em Jesus Cristo, fez-Se também história e cultura. A utopia de voltar a dar vida às religiões pré-colombianas, separando-as de Cristo e da Igreja universal, não seria um progresso, mas uma regressão. Na realidade, seria uma involução para um momento histórico ancorado no passado» [Discurso na Sessão Inaugural (13 de maio de 2007), 1: Insegnamenti III/1 (2007), 855-856].


 A Maria, nossa Mãe, confiamos a missão da Igreja. Unida ao seu Filho, desde a encarnação, a Virgem colocou-se em movimento, deixando-se envolver-se totalmente pela missão de Jesus; missão que, ao pé da cruz, havia de se tornar também a sua missão: colaborar como Mãe da Igreja para gerar, no Espírito e na fé, novos filhos e filhas de Deus.

Gostaria de concluir com uma breve palavra sobre as Pontifícias Obras Missionárias, que a Carta apostólica Maximum illud já apresentava como instrumentos missionários. De facto, como uma rede global que apoia o Papa no seu compromisso missionário, prestam o seu serviço à universalidade eclesial mediante a oração, alma da missão, e a caridade dos cristãos espalhados pelo mundo inteiro. A oferta deles ajuda o Papa na evangelização das Igrejas particulares (Obra da Propagação da Fé), na formação do clero local (Obra de São Pedro Apóstolo), na educação duma consciência missionária das crianças de todo o mundo (Obra da Santa Infância) e na formação missionária da fé dos cristãos (Pontifícia União Missionária). Ao renovar o meu apoio a estas Obras, espero que o Mês Missionário Extraordinário de outubro de 2019 contribua para a renovação do seu serviço missionário ao meu ministério.


Aos missionários e às missionárias e a todos aqueles que de algum modo participam, em virtude do seu Batismo, na missão da Igreja, de coração envio a minha bênção.
                                                                    
                                                                  FRANCISCO