sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Nas águas do Purus

No dia em que iniciei a viagem no Rio Purus, dormi a tarde inteira. Pensava que não ia ter sono à noite, mas logo que a noite caiu, eu também... fui até às aldeias que ficam dentro do município de Manoel Urbano, ou seja até a “boca” do Rio Chandless, para apurar, juntamente com os Professores Indígenas, o rendimento escolar dos alunos. Só para chegar na primeira aldeia levamos três dias. Gosto sempre de fazer esta viagem, porque me faz bem o contato com o povo ribeirinho, os indígenas, o rio e as matas. O rio está muito cheio e não pára de subir e de chover, a correnteza é forte e desce muito pau, por isso o barco anda muito devagar.

No Domingo, dia do Senhor, choveu a noite inteira e um friozinho gostoso, bom pra dormir! Quando acordei, todos já haviam tomado o café da manhã. Não vou entrar em detalhes, mas... virei do outro lado da rede e... dormi de novo. Só depois, quando deu fome é que me levantei e fui tomar café. E fui rezar o ODC que traz uma salmodia linda no Ofício da manhã de Domingo. E cantei me juntando ao coro da imensidão de pássaros, louvando o Criador: “Irmãos, minhas irmãs, vamos cantar nesta manhã pois renasceu mais uma vez a criação das mãos de Deus...”.
À tarde, Fátima amassou o pão. E o Rodrigo? Ah! O Rodrigo não se cansa de ler a Bíblia. É só quando ler, diz a Fátima, é quando viaja no barco, porque a Bíblia mora aqui dentro. Menos mal!

Nosso Comandante, o Toinho, que é o responsável pelo barco do CIMI e, o motorista, Seu Joãozinho, um senhor sério e muito responsável, estão sempre em alerta e de prontidão para qualquer eventualidade. Por vezes, precisam se levantar no meio da noite para verificar a situação das águas e a posição do barco. Do jeito que estão as águas não dá para confiar.

Uma viagem, muito boa. A certa altura da viagem, deixei a embarcação que seguiu e eu fiquei hospedada na casa da Morena, para atender as aldeias ali por perto. Não consegui fazer muita coisa, pois as aldeias estavam esvaziadas, a maioria dos indígenas, apesar do tamanho das águas do grande rio, estava na cidade ou passeando em outras aldeias.

Terminado o que pude fazer, peguei carona na voadeira da FUNASA que estava de volta para a cidade. Daqui a alguns dias tenho que voltar...

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