A cada dia que passa me convenço mais acerca da complexidade da
alma feminina. O que pode já não ser mistério para muitos, continua a
sê-lo para mim, talvez, por ser mulher.
É certo que vários homens
provavelmente há tempos descobriram como a mulher é complicada.
Entretanto, nós mesmas ainda estamos nos descobrindo, porque a cada dia
percebemos uma nova faceta nessa criatura polivalente e ambígua. A
complexidade da mulher é tal que, às vezes, nem ela mesma se entende.
Portanto, homens, aprendam a ser tolerantes conosco. Nem sempre temos
controle em relação ao nosso humor afetado ou nossas crises
existenciais. Essas coisas aparecem e desaparecem muitas vezes sem que
consigamos descobrir qual a sua origem em nós.
A
pessoa sensível carrega consigo um olhar diferenciado do mundo. Ela vê
de forma mais contundente alguns aspectos que simplesmente passam
despercebidos para outros.
Tal característica confere um "peso", não
necessariamente no sentido pejorativo do termo, mas algo que precisa ser
administrado, metabolizado, traduzido para o emocional e assimilado
pela pessoa para que a mesma possa se tranquilizar. Isso desgasta,
requer energia, e as pessoas sensíveis normalmente estão quase sempre
mais cansadas que as demais.
Dá
tanto trabalho lidar com as emoções que muitas mulheres estão optando
por se masculinizarem. Empreendem esforços para serem objetivas,
competitivas, determinadas e passam a rivalizar com os homens e outras
mulheres. Eu compreendo, mas sinto que isso empobreceu o feminino no
mundo. Não é sem justificativa que muitos homens estão se afeminando. O
feminino faz falta. A doçura da mulher diante das agruras da vida faz
muita falta. O fato da mulher ter se desconfigurado abriu para o homem a
mesma possibilidade. Muitos percebem aumento no número de homens
afeminados, mas esses mesmos não percebem o aumento no número de
mulheres masculinizadas. A natureza busca o equilíbrio. Masculino e
feminino precisam coexistir.
Dá
tanto trabalho lidar com as emoções que muitas mulheres estão optando
por se masculinizarem. Empreendem esforços para serem objetivas,
competitivas, determinadas e passam a rivalizar com os homens e outras
mulheres. Eu compreendo, mas sinto que isso empobreceu o feminino no
mundo. Não é sem justificativa que muitos homens estão se afeminando. O
feminino faz falta. A doçura da mulher diante das agruras da vida faz
muita falta. O fato da mulher ter se desconfigurado abriu para o homem a
mesma possibilidade. Muitos percebem aumento no número de homens
afeminados, mas esses mesmos não percebem o aumento no número de
mulheres masculinizadas. A natureza busca o equilíbrio. Masculino e
feminino precisam coexistir.
Sinto que a mulher tem perdido muito nessa inversão de papéis. Ela se
força a adquirir características que não possui, e ao mesmo tempo
sufoca aquelas que lhe são naturais. Não seria mais fácil deixar fluir o
que se tem de inato? Será que já não está claro que o mundo precisa de
meiguice, ternura, espiritualidade e compaixão? Sim, nós somos
complicadas, e daí? Nós também somos muito românticas, sonhadoras,
alegres e pacientes. Temos esperança e fé. Suportamos com resignação
momentos de dor. Confortamos com a nossa presença e palavra amiga
aqueles que necessitam. O feminino está em nós, mesmo que relutemos em
assumi-lo e amá-lo como parte essencial de nossa constituição. Façamos
as pazes com a nossa sensibilidade. Vamos continuar complicadas... Mas,
que graça tem a vida sem um grande desafio?
Maria Regina Canhos Vicentin (e.mail: contato@mariaregina.com.br) é escritora.
Fonte: www.mariaregina.com.br
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