sexta-feira, 28 de março de 2014

Viagem Missionária no Rio Purus

Manhã alegre e chuvosa de sábado, era o dia 15/03/2014. O barco atracado no porto principal de Manoel Urbano. Todos os passageiros a bordo a espera de alguém que voltou para buscar um mosquiteiro. São 08:30h da manhã, os motores entram em serviço e começa a viagem, primeiramente rumo ao Aracoã, onde haverá o Encontro Mensal dos Casais Paroquianos, o Pós-Encontro e, depois seguimos viagem em visita às demais comunidades. 

O nosso barco até o Aracoã
É assim que se viaja no barco - bom demais!
Na Comunidade S. Francisco do Aracoã, com a monitora e anfitriã, D. Matilde e seu esposo Antônio Guíta, houve o encontro dos casais na noite do sábado e domingo de manhã, a Santa Missa e a celebração de 07 batizados. Foi uma celebração bem participada com a presença de muitas pessoas da Comunidade além dos casais missionários que foram de Manoel Urbano.

Pós Encontro

Seguindo viagem somos três Missionários: Pe. Francivaldo, Benta e eu, agora numa voadeira.  Vamos subindo o Purus e entrar no Chandless, encontrando e visitando as pessoas e comunidades ao longo dos dois rios. Nossa segunda parada foi em outra Comunidade S. Francisco no Seringal Santa Cruz Velha. Chegamos na tarde do Domingo (16), celebramos a Eucaristia e o batizado da Maria Clara. Dormimos aqui.

Essa viagem de voadeira, é muito desgastante, pois enfrentamos, ora a chuva ora o sol escaldante e muito vento. É preciso se proteger bem e nós o fazemos na medida do possível, como se pode ver nas fotos.




Nesta Comunidade celebramos 2 Missas: no Domingo a tarde e segunda de manhã, para as crianças e pais. 
Depois, almoçamos e fomos para a outra Comunidade na Terra Alta, onde foram feitos 27 batizados e encontro com a Comunidade. Após as atividades celebradas nesta Comunidade, tivemos que sair logo para a outra, visto que a programação estava um pouco acelerada. O nosso motorista, Clemildo, está um tanto preocupado com o motor da voadeira, que é pequeno e não tem tanta força pra empurrar o bote, ou seja, a viagem está muito lenta, a voadeira não voa nada. 

Chegamos no Oiapoque já noite, debaixo de uma chuva fininha. A viagem de voadeira é boa com o tempo bom, por causa da rapidez, mas nestes momentos: chuva, sol forte, anoitecer na viagem, é muito incômodo e dá um medo... Dormimos no barco que estava atracado no porto, para evitar subir o barranco com as "tralhas" todas, mas mesmo assim, tivemos que enfrentar a lama e subir o barranco, para cumprimentar o pessoal da casa. Conversamos um pouco e, lá vamos nós barranco abaixo, para cuidar da nossa dormida. Trouxemos uma garrafa com água quente e aí, no barco, fizemos um nescafé e tomamos com bolachas. Foi o nosso jantar. Armamos as redes no batelão e, escapando das baratas, dormimos. A noite inteira choveu  forte e de manhã, subimos mais uma vez o barranco, na lama. Tomamos café com tapioca e, como não chegou ninguém (por causa da chuva e porque estavam esperando a nossa passagem de barco e nós viemos de voadeira, o que nunca tinha acontecido),  remarcamos as atividades para a volta, com dia e hora certinho. E seguimos viagem para o Chandless. Paramos um pouco na minha comadre "Morena" e na aldeia "Maloca", visita a Escola Pe. Paolino, já dentro do Chandless. Foi aí na Maloca, onde encontrei o Nílson, uma criança especial que nasceu com lábio leporino. Agora já com 05 aninhos fez a 1ª cirurgia externa, faltando ainda as internas, para reestruturar todo o céu da boca.   
Minha Comadre "Morena" e família: meu afilhado Maurício
(abraçado pela sua irmãzinha)
 

Este é o Nílson. Olhando o que falta para a cirurgia.
 


Chegamos na casa do Sr. Olegário por volta de três horas da tarde. Por sorte, seus filhos tinham ido pescar e chegaram com muitos peixes (mandin) e comemos peixe fresquinho, muito bom. Neste dia descansamos, não realizamos nenhuma atividade, só no dia seguinte pela manhã. Dia 19/03, dia solene do nosso bom pai S. José, celebramos com a família que 
nos acolheu. Foi simples, mas muito significativo.
Padre recebendo cinzas
 


Família que nos acolheu
Seu Olegário e D. Marta
 

Após a missa com a família, seguimos viagem para a casa do seu Jerônimo, onde a comunidade estava avisada da nossa chegada e esperando para celebrar os batizados.
A Missa e os batizados foram feitos no final do dia já terminando a noite, quando todos voltaram para suas casas, de canoa, já escuro. Mesmo eles dizendo que são acostumados, fico preocupada. 







Neste dia (19/03) a Benta caiu de uma altura de mais de 1 metro e meio. Machucou um pouco a cabeça e o pescoço, mas graças a Deus, não foi nada de grave. Louvado seja Deus!.
Depois das celebrações, quando todos se foram, armamos nossas redes na sala e dormir. De manhã, nos levantamos para seguir viagem de volta. Tomamos o quebra-jejum com mingau de banana e tapioca (goma que ganhamos da Zeza). 

Já é 20 de abril. Descemos o Rio Chandless até encontrar o Purus. Antes disso, fomos visitar a sede do Parque Estadual Chandless que está abandonada. Tudo entregue ao Deus-dará. Dinheiro público jogado fora. Veja as fotos:





Visitamos também algumas aldeias indígenas: Santo Amaro, Boaçu, Santa Júlia e Apuí. Na primeira aldeia que chegamos (Povo Kulina que se autodenomina "Madirra"), os indígenas logo pintaram nosso rosto e a comunidade "batizou" o Padre Francivaldo e a Benta. O Padre recebeu o nome de "Rarrawino" e, a Benta de "Rramina". Eu, já fui batizada faz tempo e todos eles me conhecem por meu nome: "Huissowa".

Chegamos na Comunidade no final da tarde. Ainda com tempo de bater uma bolinha no campo com as crianças. Foi muito divertido e deu também pra queimar algumas calorias a mais, depois de tantos dias sentados.

Dormimos na Escola, o padre, a Benta e eu. O motorista dormiu no barco que estava no porto, para vigiar também nossas coisas. Amanheceu o dia chovendo, chuva forte. Mesmo assim, as pessoas começaram a chegar devagarinho. Pelas 09:00h houve a missa e uma preparação para os pais, mas não aconteceram os batizados, ficaram para o mês de Julho quando vem a equipe de Missionários do Ceará fazer Missão aqui na Paróquia.




Coral da Comunidade
 Após a Missa, descemos. No barco, comemos uma farofa de sardinha que a Benta havia preparado. Farofa com chuva, era difícil comer, a farofa vinha molhada... mas a vontade de comer era maior que qualquer dificuldade. Todos comemos da mesma panela. Chegamos na casa do Ribamar (ponto de referência ao longo do Rio) - Santa Cruz, por volta de 01:00h da tarde. Paramos um pouco, almoçamos e, como era bastante cedo seguimos viagem para chegar em casa. Este era o dia 21 de Março.




Seguindo viagem casa. Agora já com a sensação do dever cumprido, chegando em casa, sentimo-nos mais despreocupados, tranquilos e é sempre uma emoção voltar a casa. Que bom! Graças a Deus que temos uma casa, uma  Comunidade de Irmãs que nos acolhe, uma cama aconchegante para repousar, um Cristo Euscarístico que nos fortalece. Tudo é dom, tudo é graça do nosso Bom Deus. Obrigada, Pai!



Era assim o tempo durante a nossa viagem
Indígenas na cidade
Tapiri dos Indígenas na cidade, do outro lado do Rio

Porto de Manoel Urbano

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