segunda-feira, 30 de julho de 2012

A TERRA INDIGENA ALTO RIO PURUS

Descendo os barrancos do Rio Purus

A TERRA INDIGENA ALTO RIO PURUS, O HENE HUBEYA DOS HUNI KUĨ

A Terra Indígena Alto Purus está localizada nos municípios de Manoel Urbano e Santa Rosa do Purus, habitada pelos Kaxinawá que se autodenominam Huni Kuĩ e pelos Madirra. É uma terra indígena com 263.129 ha e com aproximadamente 2.279 indígenas, sendo 1.411 Kaxinawá e 868 Madirra (AEPI, 2010). Na região de Santa Rosa do Purus também tem os Jamináwa que estão reivindicando o reconhecimento da Terra Indígena Estirão.

Atualmente na T.I. Alto Rio Purus há 47 aldeias (Manoel Urbano e Santa Rosa do Purus), sendo 23 Kaxinawá, 23 Madirra e 01 Jaminawa, em 03 aldeias Kaxinawá e 01 Madirra não há escola, são aldeias que foram criadas recentemente havendo uma sala de aula anexa a uma escola próxima. Esta terra indígena está localizada em uma região de fronteira com o Peru, tendo em seu entorno o Parque Estadual do Chandless, a T.I. Jamináwa do rio Caeté, a Reserva Extrativista Cazumba-Iracema, assim como antigos seringais hoje habitados por caboclos e ribeirinhos, e algumas fazendas que estão localizadas ao longo do rio Purus entre os municípios de Manoel Urbano e Santa Rosa do Purus.

Os Kaxinawá ou Huni Kuĩ, “gente verdadeira”, como eles se autodenominam, constituem a maior população indígena do Acre, distribuídas em 12 terras indígenas já reconhecidas nos vales do Alto Juruá e Alto Purus, bem como na região do Peru a partir do rio Curanja, configurando-se um povo “trilíngue” (Língua Materna, Espanhol e Português), convivendo com o fortalecimento de suas tradições, sua rica cultura material, com a tecelagem, a cerâmica, os kenês, e com as “imposições” da sociedade não-indígena que mantém uma relação desfavorável de forças. Na TI. Alto Purus também estão os Madirra, conhecidos também como Kulina, habitando aldeias localizadas ao longo dos rios Juruá, Envira e Purus. Diferentemente dos Huni Kuĩ que são Pano, os Madirra são da família linguística Arawá, tendo como principal característica ou forma de defesa sociocultural, uma “rebeldia” que lhes são peculiar, vivendo tempos futuros que não estão tão distantes do passado. Esta é a TI Alto Rio Purus, localizada no rio Purus que os Huni Kui definem como “Hene Hubeya”, “rio de águas barrentas”, trazendo consigo uma diversidade de cultura, cultura dos ribeirinhos, dos caboclos, dos indígenas, cultura de negação, mas também cultura de afirmação, sendo o CUXIURA para Gunter Kromer, definindo como o Purus dos indígenas, um “paraíso perdido” para Euclides da Cunha e motivo de inspiração para tantos outros que por ele passaram e passam até hoje. É o “Hene Hubeya” dos piuns, que não são uns, são muitos, das mutucas, também das carapanãs que nesta viagem não quis nos perturbar tanto, mas também o “Hene Hubeya” das riquezas naturais, da castanha do Brasil, que tem até Sena Madureira, mas já em Manoel Urbano não existe. Dos seringais e também do pôr do sol maravilhoso, das belas noites de lua e céu estrelado, do rapé na beira do barranco. Purus dos Paumari, dos Apurinã, dos Jamamadi, do Deni, dos Zuruaha, dos Jarawa, mas também o Purus dos Madirra e dos Kaxinawá. Os Madirra afirmando ser do Purus por sua escrita ou re-escrita, dizendo com “k” não, no Purus é com “cc”, com “ph”não, mas com “pp” sim, subindo e descendo o rio, nos barrancos das cidades vivendo em um “tempo” que ninguém entende, o “tempo dos Madirra”.
 
Também temos os Huni Kui que com sua imponência e teimosia desafia os limites, as fronteiras colocadas por nós, desfrutando de um “trilíngue embaraçoso”. Este é o Purus, o “Hene Hubeya” do padre cearense que está em Santa Rosa do Purus e não entende os caboclos e muito menos os indígenas, manifestando uma “ignorância” quando questiona  “porque estas pessoas comem macaco”, mas celebra contente o resultado positivo da manifestação do catolicismo popular na festa da padroeira da cidade. É o Purus de tempo distante, de tempos presentes, de tempos diferentes.
(Texto de Charles Falcão - CEI-Acre)







sábado, 28 de julho de 2012

Flores Andinas

A natureza esplêndida das montanhas andinas mostrando seus picos nevados e as magníficas flores (orquídeas, hortências, bromélias e begônias), são algo que nos deixam estasiadas ao visitar a terra dos Incas.

 






















































sexta-feira, 27 de julho de 2012

Visita a Cuzco - Machu Picchu



Esta semana realizei um sonho antigo: conhecer Cuzco e Machu Picchu, na região andina do Peru. Desde os tempos de acadêmica, quando, ao estudar História da América, me deparei com a civilização Quehua, me apaixonei e teve início o sonho de conhcer in loco e ver de perto aquilo que foi, na época, a maior engenharia de todos os tempos, assemelhando-se aos egípcios.

Machu Picchu (em quechua Machu Pikchu, "velha montanha"), também chamada "cidade perdida dos Incas", é uma cidade pré-colombiana bem conservada, localizada no topo de uma montanha, a 2.400 metros de altitude, no vale do Rio Urubamba, atual Peru. Foi construída no século XV, sob as ordens de Pachacuti. O local é, provavelmente, o símbolo mais típico doImpério Inca, quer devido à sua original localização e características geológicas, quer devido à sua descoberta tardia em 1911. Apenas cerca de 30% da cidade é de construção original, o restante foi reconstruído. As áreas reconstruídas são facilmente reconhecidas, pelo encaixe entre as pedras. A construção original é formada por pedras maiores, e com encaixes com pouco espaço entre as rochas.

Consta de duas grandes áreas: a agrícola formada principalmente por terraços e recintos de armazenagem de alimentos; e a outra urbana, na qual se destaca a zona sagrada com templos, praças e mausoléus reais.
A disposição dos prédios, a excelência do trabalho e o grande número de terraços para agricultura são impressionantes, destacando a grande capacidade daquela sociedade. No meio das montanhas, os templos, casas e cemitérios estão distribuídos de maneira organizada, abrindo ruas e aproveitando o espaço com escadarias. Segundo a história Inca, é tudo planejado para a passagem do deus sol.
Há diversas teorias sobre a função de Machu Picchu, e a mais aceita afirma que foi um assentamento construído com o objetivo de supervisionar a economia das regiões conquistadas e com o propósito secreto de refugiar o soberano Inca e seu séquito mais próximo, no caso de ataque.
O lugar foi elevado à categoria de Patrimônio Mundial da UNESCO. 

Além de Machu Picchu, visitamos também outros lugares sagrados, como o Templo Qorikancha, Fortaleza de Sacsayhuaman, Kenko, Tambomachay, Puca-Pucara, a Catedral, o Vale Sagrado dos Incas e ainda a Praça de Armas.