quarta-feira, 30 de abril de 2014

No Caminho de Emaús - Ele está no meio de nós!


No Caminho de Emaús - Ele está no meio de nós! (Lucas 24,14-31) 


1. De que estavam falando pelo caminho?

Duas pessoas andando pela estrada. Desanimadas. Tristes! Estavam indo na direção contrária. Fugindo. Buscando. Imagem de ontem e de hoje. Imagem de todos nós. No ano de 85, muitos discípulos e discípulas andavam pelo caminho, tristes, desanimados, sem saber se estavam no caminho certo. Parece que a cruz ficou maior e mais pesada. O desemprego, a violência, a droga, a falta de atenção séria à saúde e à educação, a falta de dinheiro, as dívidas... o desespero. Sentimo-nos impotentes frente à corrupção que desvia fundos dos cofres públicos, ou frente à má administração que deixa o povo no desamparo. O sistema neoliberal vai gerando cada dia mais exclusões de indivíduos, grupos e países. Parece que vivemos em um caos, em uma situação sem saída. Temos a impressão de estarmos caminhando ladeira abaixo, para o pior.

2. Tinham os olhos vendados

A experiência da morte de Jesus tinha sido tão dolorosa que eles perderam o sentido de viver em comunidade, abandonaram o grupo de discípulos e discípulas. Sentiram-se impotentes diante do poder que matou Jesus e procuraram salvar pelo menos a própria pele. Sua frustração era tão grande, que nem reconheceram Jesus, quando este se aproximou e passou a caminhar com eles (24,15). Tinham um esquema rígido de interpretação sobre o Messias, e não puderam ver a salvação de Deus entrando em suas vidas. Algumas discípulas tentaram ajudar os companheiros a perceber que Jesus estava vivo (24,22-23). Mas eles se recusaram a acreditar (24,24). Esta notícia era por demais surpreendente. Era o mesmo que dizer que Jesus era o vencedor do caos e da morte. Só podia ser fantasia, sonho, delírio de mulheres (24,11). Impossível acreditar! Quando a dor e a indignação pegam forte, há pessoas que ficam depressivas, desesperadas. Outras se tornam coléricas e amargas. Algumas invocam o fim do mundo com catástrofes que vão tirar os maus da face da terra. Outras buscam evadir-se numa oração sem compromisso social e político. Mas nenhuma dessas posturas ajuda a abrir os olhos e analisar a situação com fé lúcida e responsável, capaz de inventar saídas para esta situação aparentemente sem saída.

3. A Bíblia esquentou o coração, mas não abriu os olhos


Caminhando com eles, sem eles se darem conta, Jesus fazia perguntas. Escutava as respostas com interesse. Dessa maneira, obrigava-os a irem fundo no motivo da sua tristeza e fuga. Procurava fazê-los expressar a frustração que sentiam. Depois, ia iluminando a situação com palavras da Escritura. Procurava situar os discípulos na história do povo, para que pudessem entender o momento que estavam vivendo. Foi uma experiência apaixonante. Mais tarde, eles iriam fazer uma reflexão e perceber que o coração deles ardia, quando Jesus lhes explicava as Escrituras pelo caminho (24,32). Mas a explicação que Jesus dava a partir das Escrituras não conseguiu abrir os olhos dos discípulos.

4. Eles o reconheceram na partilha do pão


Caminhando com Jesus, os discípulos sentiram o coração arder. Cresceu dentro deles uma atitude de acolhida: "Fica conosco! Cai a tarde e o dia já declina!" (24,29). Foi só então que a partilha aconteceu. Partilha de vida, de oração e de pão. Partilha que abriu os olhos e provocou a mais importante descoberta da fé: ele está vivo, no meio de nós! (24,30-31). Esta descoberta lhes deu forças para voltar a Jerusalém, mesmo de noite. Tinham pressa de partilhar com os outros a descoberta que os fez renascer e ter coragem para enfrentar o poder da morte. Sim, Jesus era de fato o vencedor do caos e da morte! Não era fantasia das mulheres. Era uma realidade escondida, misteriosa, que só pode ser descoberta por quem aprende a partilhar, a se entregar, a sair do círculo vicioso dos interesses egoístas, para lutar junto com os outros pela vida de todos. Quando seus olhos se abriram, livres das trevas e travas por poder dominante, puderam descobrir a morte de Jesus como expressão máxima de um amor sem limites. Amor que tem sua origem no Pai cheio de ternura, gerador incansável da vida. Amor que tomou carne em Jesus de Nazaré para visitar e redimir a humanidade. Amor que se mantém fiel até ao extremo de dar a própria vida, para que todos tenham vida (Jo 10,10). Amor que foi confirmado pelo Pai, quando ressuscitou Jesus da morte.

5. Renascer para uma nova esperança


Esta experiência fez os discípulos renascerem para uma nova esperança. Ao redor de Jesus vivo, eles se uniram de novo e assumiram o projeto de vida para todos. A esperança é como um motor que leva a acreditar nos outros e a inventar práticas de fé. Com a esperança renovada, aquilo que parecia uma total impossibilidade passou a ter um novo significado para eles. Perderam o medo, superaram a experiência de incapacidade e de impotência. Deixaram de lado o negativismo derrotista e voltaram, em plena noite, como se fosse de dia. Voltaram para recomeçar, para reconstruir a comunidade, expressão, sinal e sacramento da presença de Jesus Ressuscitado.

6. Refazer hoje a experiência do caminho de Emaús


Desafiados pela atual conjuntura, somos chamados a viver hoje a experiência de Emaús e descobrir, na partilha solidária, a presença de Deus no meio de nós. Como comunidade de fé, somos chamados a reconstruir, no diálogo, na abertura e na acolhida, o projeto de Jesus, pelo qual ele entregou sua própria vida. A solidariedade leva à descoberta da força libertadora de Deus na história. Com olhar lúcido e criativo procuraremos expressar esta fé numa solidariedade bem concreta e articulada, seja a nível de grupo, de bairro ou de cidade. Dizer articulada quer dizer que esta ação solidária deve ser comunitária. Só assim será de fato sinal do Reino e poderá intervir em favor da vida, da vida indefesa dos pobres, os preferidos de Jesus.

Texto: C. Mesters e M. Lopes
 
A imagem é de autoria de Elda Broilo.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Primeira Comunhão


Pe. Olívio preparando o Círio Pascal
Foram 17 os adolescentes que fizeram sua Primeira Comunhão neste Domingo da Páscoa da Ressurreição do Senhor. No dia anterior, na Vigília Pascal, dois deles receberam o Sacramento do Batismo: Marta e Riquelme.

Marta e Riquelme com seus Padrinhos, durante o Batismo, recebendo a Luz de Cristo
A Turma antes da Missa
"Chegou o dia da querida festa. 
Chegou a hora em que vamos comungar. 
A inocência brilha em nossa testa. 
  Queremos sempre a Jesus amar.

Senhor Jesus, nós cremos firmemente
E confessamos sem medo e sem temor
Que estás na Santa Hóstia presente
  Sois nosso Deus e Salvador."
Momento da Renovação das Promessas do Batismo
A Turma com o Pároco, Pe. Olívio e os Catequistas: Ednaldo e Elena
Na Recepção: entrega da Lembrancinha 















domingo, 20 de abril de 2014

Nia Moris Hias! Ele Ressuscitou! Aleluia!!


Nia la iha ne'e. Nia Moris Hias. (Ele não está aqui. Ele Ressuscitou!)

"Sabe o que mais quero agora, meu amor?
Morar no interior do meu interior pra entender porque se agridem, se empurram para o abismo se debatem, se combatem, SEM SABER..." 
(canção de Vander Lee).

O Bem Viver põe o acento na qualidade de vida, mas não a reduz ao consumo ou à propriedade de bens materiais. Precisa questionar o reducionismo de apresentar o desenvolvimento apenas como crescimento econômico e se alertar para sua inviabilidade uma vez que os recursos naturais são limitados e a capacidade dos ecossistemas de lidar com os impactos ambientais também é pequena. E também criticar a base antropocêntrica do desenvolvimento atual, onde tudo é valorizado em função da sua utilidade para grupos de privilegiados e não de todos os seres viventes.  No silêncio desta nossa terra amazônica, a Palavra de Deus nos abre aos horizontes da Esperança: "Com efeito, sabemos que toda a criação, até o presente, está gemendo como que em dores de parto, e não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos em nosso íntimo, esperando a condição filial, a redenção de nosso corpo. Pois é na esperança que fomos salvos." (Rm 8.22-24). E esta esperança atinge a todos os seres humanos, o aymara David sustenta que o Bem Viver significa "recuperar a vivência dos nossos povos, recuperar a Cultura da Vida e recuperar nossa vida em completa harmonia e respeito mútuo com a mãe natureza, com a Pachamama, onde tudo é vida, onde todos somos uywas, criados da natureza e do cosmos".
O Papa Francisco nos desafia: "Jesus não ressuscitou em vão. Não fiquemos à margem desta marcha da esperança viva!" (EG 278).

(Mensagem de Páscoa/2014 de  Pe. Luis Ceppi)


domingo, 30 de março de 2014

Cuidar da Mãe Terra e amar todos os seres


O amor é a força maior existente no universo, nos seres vivos e nos humanos. Porque o amor é uma força de atração, de união e de transformação. Já o antigo mito grego o formulava com elegância: “Eros, o deus do amor, ergueu-se para criar a Terra. Antes, tudo era silêncio, desprovido e imóvel. Agora tudo é vida, alegria, movimento”. O amor é a expressão mais alta da vida que sempre irradia e pede cuidado, porque sem cuidado ela definha, adoece e morre.

Humberto Maturana, chileno, um dos expoentas maiores da biologia contemporânea, mostrou em seus estudos sobre a autopoiesis, vale dizer, sobre a auto-orgnização da matéria da qual resulta a vida, como o amor surge de dentro do processo evolucionário. Na natureza, afirma Maturana, se verificam dois tipos de conexões (ele chama de acoplamentos) dos seres com o meio e entre si: uma necessária, ligado à própria subsistência e outro espontânea, vinculado a relações gratuitas, por afinidades eletivas e por puro prazer, no fluir do próprio viver.

Quando esta última ocorre, mesmo em estágios primitivos da evolução há bilhões de anos, ai surge a primeira manifestação do amor como fenômeno cósmico e biológico. Na medida em que o universo se inflaciona e se complexifica, essa conexão espontânea e amorosa tende a incrementar-se. No nivel humano, ganha força e se torna o móvel principal das ações humanas.
O amor se orienta sempre pelo outro. Significa uma aventura abraâmica, a de deixar a sua própria realidade e ir ao encontro do diferente e estabelecer uma relação de aliança, de amizade e de amor com ele.

O limite mais desastroso do paradigma ocidental tem a ver com o outro, pois o vê antes como obstáculo do que oportunidade de encontro. A estratégia foi e é esta: ou incorporá-lo, ou submete-lo ou eliminá-lo como fez com as culturas da África e da América Latina. Isso se aplica também para com a natureza. A relação não é de mútua pertença e de inclusão mas de exploração e de submetimento. Negando o outro, perde-se a chance da aliança, do diálogo e do mútuo aprendizado. Na cultura ocidental triunfou o paradigma da identidade com exclusão da diferença. Isso gerou arrogância e muita violência.

O outro goza de um privilégio: permite surgir o ethos que ama. Foi vivido pelo Jesus histórico e pelo paleocristianismo antes de se constituir em instituição com doutrinas e ritos. A ética cristã foi mais influenciada pelos mestres gregos do que pelo sermão da montanha e prática de Jesus. O paleocristianismo, ao contrário, dá absoluta centralidade ao amor ao outro que para Jesus, é idêntico ao amor a Deus. O amor é tão central que quem tem o amor tem tudo. Ele testemunha esta sagrada convicção de que Deus é amor(1 Jo 4,8), o amor vem de Deus (1 Jo 4,7) e o amor não morrerá jamais (1Cor 13,8). E esse amor incondicional e universal inclui também o inimigo (Lc 6,35). O ethos que ama se expressa na lei áurea, presente em todas as tradições da humanidade: “ame o próximo como a ti mesmo”; “não faça ao outro o que não queres que te façam a ti”. O Papa Francisco resgatou o Jesus histórico: para ele é mais importante o amor e a misericórdia do que a doutrina e a disciplina.

Para o cristianismo, Deus mesmo se fez outro pela encarnação. Sem passar pelo outro, sem o outro mais outro que é o faminto, o pobre, o peregrino e o nu, não se pode encontrar Deus nem alcançar a plenitude da vida (Mt 25,31-46). Essa saída de si para o outro a fim de amá-lo nele mesmo, amá-lo sem retorno, de forma incondicional, funda o ethos o mais inclusivo possível, o mais humanizador que se possa imaginar. Esse amor é um movimento só, vai ao outro, a todas as coisas e a Deus.

No Ocidente foi Francisco de Assis quem melhor expressou essa ética amorosa e cordial. Ele unia as duas ecologias, a interior, integrando suas emoções e os desejos, e a exterior, se irmanando com todos os seres. Comenta Eloi Leclerc, um dos melhores pensadores franciscanos de nosso tempo, sobrevivente dos campos de extermínio nazista de Buchenwald:

Em vez de enrijercer-se e fechar-se num soberbo isolamento, Francisco deixou-se despojar de tudo, fez-se pequenino, colocou-se, com grande humildade, no meio das criaturas. Próximo e irmão das mais humildes dentre elas. Confraternizou-se com a própria Terra, como seu húmus original, com suas raízes obscuras. E eis que a “nossa irmã e Mãe-Terra” abriu diante de seus olhos maravilhados um caminho de uma irmandade sem limites, sem fronteiras. Uma irmandade que abrangia toda a criação. O humilde Francisco tornou-se o irmão do Sol, das estrelas, do vento, das nuvens, da água, do fogo e de tudo o que vive e até da morte”.

Esse é o resultado de um amor essencial que abraça todos os seres, vivos e inertes, com carinho, enternecimento e amor. O ethos que ama funda um novo sentido de viver. Amar o outro, seja o ser humano, seja cada representante da comunidade de vida, é dar-lhe razão de existir. Não há razão para existir. O existir é pura gratuidade. Amar o outro é querer que ele exista porque o amor torna o outro importante.”Amar uma pessoa é dizer-lhe: tu não poderás morrer jamais” (G.Marcel); “tu deves existir, tu não podes ir embora”.

Quando alguém ou alguma coisa se fazem importantes para o outro, nasce um valor que mobiliza todas as energias vitais. É por isso que quando alguém ama, rejuvenesce e tem a sensação de começar a vida de novo. O amor é fonte de suprema alegria.

Somente esse ethos que ama está à altura dos desafios face à Mãe Terra devastada e ameaçada em seu futuro. Esse amor nos poderá salvar a todos, porque abraça-os e faz dos distantes, próximos e dos próximos, irmãos e irmãs.

Leonardo Boff 

sexta-feira, 28 de março de 2014

Viagem Missionária no Rio Purus

Manhã alegre e chuvosa de sábado, era o dia 15/03/2014. O barco atracado no porto principal de Manoel Urbano. Todos os passageiros a bordo a espera de alguém que voltou para buscar um mosquiteiro. São 08:30h da manhã, os motores entram em serviço e começa a viagem, primeiramente rumo ao Aracoã, onde haverá o Encontro Mensal dos Casais Paroquianos, o Pós-Encontro e, depois seguimos viagem em visita às demais comunidades. 

O nosso barco até o Aracoã
É assim que se viaja no barco - bom demais!
Na Comunidade S. Francisco do Aracoã, com a monitora e anfitriã, D. Matilde e seu esposo Antônio Guíta, houve o encontro dos casais na noite do sábado e domingo de manhã, a Santa Missa e a celebração de 07 batizados. Foi uma celebração bem participada com a presença de muitas pessoas da Comunidade além dos casais missionários que foram de Manoel Urbano.

Pós Encontro

Seguindo viagem somos três Missionários: Pe. Francivaldo, Benta e eu, agora numa voadeira.  Vamos subindo o Purus e entrar no Chandless, encontrando e visitando as pessoas e comunidades ao longo dos dois rios. Nossa segunda parada foi em outra Comunidade S. Francisco no Seringal Santa Cruz Velha. Chegamos na tarde do Domingo (16), celebramos a Eucaristia e o batizado da Maria Clara. Dormimos aqui.

Essa viagem de voadeira, é muito desgastante, pois enfrentamos, ora a chuva ora o sol escaldante e muito vento. É preciso se proteger bem e nós o fazemos na medida do possível, como se pode ver nas fotos.




Nesta Comunidade celebramos 2 Missas: no Domingo a tarde e segunda de manhã, para as crianças e pais. 
Depois, almoçamos e fomos para a outra Comunidade na Terra Alta, onde foram feitos 27 batizados e encontro com a Comunidade. Após as atividades celebradas nesta Comunidade, tivemos que sair logo para a outra, visto que a programação estava um pouco acelerada. O nosso motorista, Clemildo, está um tanto preocupado com o motor da voadeira, que é pequeno e não tem tanta força pra empurrar o bote, ou seja, a viagem está muito lenta, a voadeira não voa nada. 

Chegamos no Oiapoque já noite, debaixo de uma chuva fininha. A viagem de voadeira é boa com o tempo bom, por causa da rapidez, mas nestes momentos: chuva, sol forte, anoitecer na viagem, é muito incômodo e dá um medo... Dormimos no barco que estava atracado no porto, para evitar subir o barranco com as "tralhas" todas, mas mesmo assim, tivemos que enfrentar a lama e subir o barranco, para cumprimentar o pessoal da casa. Conversamos um pouco e, lá vamos nós barranco abaixo, para cuidar da nossa dormida. Trouxemos uma garrafa com água quente e aí, no barco, fizemos um nescafé e tomamos com bolachas. Foi o nosso jantar. Armamos as redes no batelão e, escapando das baratas, dormimos. A noite inteira choveu  forte e de manhã, subimos mais uma vez o barranco, na lama. Tomamos café com tapioca e, como não chegou ninguém (por causa da chuva e porque estavam esperando a nossa passagem de barco e nós viemos de voadeira, o que nunca tinha acontecido),  remarcamos as atividades para a volta, com dia e hora certinho. E seguimos viagem para o Chandless. Paramos um pouco na minha comadre "Morena" e na aldeia "Maloca", visita a Escola Pe. Paolino, já dentro do Chandless. Foi aí na Maloca, onde encontrei o Nílson, uma criança especial que nasceu com lábio leporino. Agora já com 05 aninhos fez a 1ª cirurgia externa, faltando ainda as internas, para reestruturar todo o céu da boca.   
Minha Comadre "Morena" e família: meu afilhado Maurício
(abraçado pela sua irmãzinha)
 

Este é o Nílson. Olhando o que falta para a cirurgia.
 


Chegamos na casa do Sr. Olegário por volta de três horas da tarde. Por sorte, seus filhos tinham ido pescar e chegaram com muitos peixes (mandin) e comemos peixe fresquinho, muito bom. Neste dia descansamos, não realizamos nenhuma atividade, só no dia seguinte pela manhã. Dia 19/03, dia solene do nosso bom pai S. José, celebramos com a família que 
nos acolheu. Foi simples, mas muito significativo.
Padre recebendo cinzas
 


Família que nos acolheu
Seu Olegário e D. Marta
 

Após a missa com a família, seguimos viagem para a casa do seu Jerônimo, onde a comunidade estava avisada da nossa chegada e esperando para celebrar os batizados.
A Missa e os batizados foram feitos no final do dia já terminando a noite, quando todos voltaram para suas casas, de canoa, já escuro. Mesmo eles dizendo que são acostumados, fico preocupada. 







Neste dia (19/03) a Benta caiu de uma altura de mais de 1 metro e meio. Machucou um pouco a cabeça e o pescoço, mas graças a Deus, não foi nada de grave. Louvado seja Deus!.
Depois das celebrações, quando todos se foram, armamos nossas redes na sala e dormir. De manhã, nos levantamos para seguir viagem de volta. Tomamos o quebra-jejum com mingau de banana e tapioca (goma que ganhamos da Zeza). 

Já é 20 de abril. Descemos o Rio Chandless até encontrar o Purus. Antes disso, fomos visitar a sede do Parque Estadual Chandless que está abandonada. Tudo entregue ao Deus-dará. Dinheiro público jogado fora. Veja as fotos:





Visitamos também algumas aldeias indígenas: Santo Amaro, Boaçu, Santa Júlia e Apuí. Na primeira aldeia que chegamos (Povo Kulina que se autodenomina "Madirra"), os indígenas logo pintaram nosso rosto e a comunidade "batizou" o Padre Francivaldo e a Benta. O Padre recebeu o nome de "Rarrawino" e, a Benta de "Rramina". Eu, já fui batizada faz tempo e todos eles me conhecem por meu nome: "Huissowa".

Chegamos na Comunidade no final da tarde. Ainda com tempo de bater uma bolinha no campo com as crianças. Foi muito divertido e deu também pra queimar algumas calorias a mais, depois de tantos dias sentados.

Dormimos na Escola, o padre, a Benta e eu. O motorista dormiu no barco que estava no porto, para vigiar também nossas coisas. Amanheceu o dia chovendo, chuva forte. Mesmo assim, as pessoas começaram a chegar devagarinho. Pelas 09:00h houve a missa e uma preparação para os pais, mas não aconteceram os batizados, ficaram para o mês de Julho quando vem a equipe de Missionários do Ceará fazer Missão aqui na Paróquia.




Coral da Comunidade
 Após a Missa, descemos. No barco, comemos uma farofa de sardinha que a Benta havia preparado. Farofa com chuva, era difícil comer, a farofa vinha molhada... mas a vontade de comer era maior que qualquer dificuldade. Todos comemos da mesma panela. Chegamos na casa do Ribamar (ponto de referência ao longo do Rio) - Santa Cruz, por volta de 01:00h da tarde. Paramos um pouco, almoçamos e, como era bastante cedo seguimos viagem para chegar em casa. Este era o dia 21 de Março.




Seguindo viagem casa. Agora já com a sensação do dever cumprido, chegando em casa, sentimo-nos mais despreocupados, tranquilos e é sempre uma emoção voltar a casa. Que bom! Graças a Deus que temos uma casa, uma  Comunidade de Irmãs que nos acolhe, uma cama aconchegante para repousar, um Cristo Euscarístico que nos fortalece. Tudo é dom, tudo é graça do nosso Bom Deus. Obrigada, Pai!



Era assim o tempo durante a nossa viagem
Indígenas na cidade
Tapiri dos Indígenas na cidade, do outro lado do Rio

Porto de Manoel Urbano