 |
| Na saída de casa: eu e Pe. Sá |
Como é bom o nosso Deus!
Depois de algum tempo sem nada escrever no meu Blog, partilho minha Missão no Alto Rio Purus, visitando a partilhando a vida das Comunidades Ribeirinhas. Há muito pensava em fazer essa visita, mas não havia tempo. Até que o tempo se encarregou e o tempo deu tempo ao tempo.
Foram momentos e experiências ímpar. Venha comigo... me acompanhe...
Mês Missionário. Mês do Rosário. Mês abençoado.
Tempo mais que oportuno para fazer essa Missão.
E como Deus prepara tudo direitinho...
Foi exatamente do dia 07 de outubro, terça-feira, Festa de Nossa Senhora do Rosário (Nain Feto Rosario nian), padroeira de Laleia-Timor Leste, minha primeira Missão além-fronteiras.
Oito horas da manhã de um lindo dia de sol, no porto de Manoel Urbano. Barco atracado à espera dos seus ilustres passageiros: eu, Pe. Sá, o Thiago (um jovem que acompanha o Padre) e nossos motoristas: o Neguim, o William e o Tiel. Tudo e todos embarcados, tudo pronto, é hora de sair.
Como Deus é bom e Sua Mãe não se poupa em bondade. Experimentei essa Bondade de Deus ainda antes da viagem. Foi assim: Eu estava decidida a fazer essa viagem até Santa Rosa do Purus (fronteira com o Peru), sem barco próprio (falta recursos), pedindo passagem a um e outro ou as próprias comunidades mandavam me deixar na próxima... Foi então que, na véspera de viajar, me bate à porta o Pe. Sá que, vindo de Fortaleza-Ce, está de viagem para Santa Rosa. Justamente o que eu queria. Só agradeci a Deus por tanta bondade.
Então fomos . E lá vamos nós viajando Rio acima naquela pequenina embarcação, nem banheiro tinha... E foi essa a nossa casa por 15 dias! Louvado seja Deus!! E eu estava feliz por realizar meu sonho.
 |
| Nossa casa flutuante |
 |
| William, Pe. Sá, Thiago, Neguim e eu no Porto em MU |
 |
| Família do Neguim em sua colônia na Samaúma |
No primeiro dia, viajamos o dia inteiro e chegamos já com a noite na Colônia Pernambuco, onde dormimos, os homens no barco e eu "em terra" (esta expressão pra dizer que eu dormi na casa dos moradores), numa família que eu conheço de muito tempo. Casa do Manoel. Conversamos um bocado, depois fomos todos dormir. Pela 5:30h da manhã já estávamos viajando de novo. No segundo dia paramos em algumas aldeias indígenas, visitamos, conversamos e deixamos um pouco de "heterô" (roupas) usadas que o Padre havia trazido para fazer doação. Dormimos na aldeia indígena Kulina Santo Amaro. Aí foi uma festa com os sacos de roupas que foram entregues. E só chegamos no Cruzeiro ao terceiro dia. Enquanto subimos o Rio vamos parando numa e outra colônia para visitar as famílias e ver como estão.
 |
| Visita a aldeia indígena Sta. Júlia |
 |
| Criança Indígena Madirra (Kulina) |
 |
| Mulher Indígena transportando muda de bananeira |
 |
| Festa da distribuição da roupa na aldeia Sto. Amaro |
 |
| Criança indígena recém-nascida |
Chegamos no Cruzeiro, Comunidade Nossa Senhora Aparecida, Casa do Laércio e da Neusa. O povo estava esperando o Padre, inclusive os dois Padres: O Pe. Sá e o Pe. Valdemir de Santa Rosa, pois aqui já é Paróquia de Santa Rosa do Purus. O Pe. Valdemir não conseguiu chegar pois aconteceu um imprevisto com a sua embarcação. Mesmo assim, com sua ordem, fizemos alguns batizados e inauguramos a Igrejinha recém-construída. E foi aquela festa!!
É bonito ver o ENCONTRO das pessoas, compadres e comadres, amigos e amigas, afilhados, conhecidos de perto e de longe que não se vêem faz tempo... crianças que se juntam e brincam naquele corre-corre e algazarra infantil, jovens e adolescentes que se entreolham numa paquera inocente, ou não! tudo e todos vivendo numa harmonia e entreajuda. Vizinhas e amigas que se ajudam nos afazeres da casa, a carregar água da fonte para encher as vasilhas e potes e não faltar água na casa. Os homens nos últimos preparativos da capela e na carne para o churrasco. Tudo pronto! Uma realidade que não se vê no dia-a-dia, principalmente na cidade.
 |
| Festa na Comunidade Nossa Sra. Aparecida - Cruzeiro |
 |
| Preparando o fogo para o churrasco |
 |
| Distribuição e escolha das roupas |
 |
| Meu afilhado Tiago, hoje com 15 anos |
 |
| O dia em que batizei o Tiago, 15 anos atrás |
 |
| Missa solene de Nossa Sra. Aparecida |
 |
| Preparando a festa da Padroeira com a Leitura Orante da Palavra de Deus |
 |
| Festejando o dia da Criança com bombons Garoto |
Nesse Domingo, dia da Mãe Aparecida foi um dia lindo. Celebramos com muita solenidade, um "coral" ensaiado, muitas flores e a celebração da Eucaristia, dos Batizados e a Bênção solene da Capelinha dedicada à Mãe. Todos felizes e empolgados com a Igreja nova, faltando ainda alguns acabamentos.
 |
| Momento solene da Santa Missa |
 |
| Hora do almoço |
 |
| Foto oficial da Comunidade |
Após a Missa e o almoço, saímos rumo a Santa Rosa. Nesta noite dormimos no porto da aldeia indígena Kaxinauá do Porto Alegre. Mais uma vez a escuridão da noite nos surpreendeu no meio do rio e tivemos de nos virar com a tocha da lanterna, preocupados com a "pausada" que há no meio do rio e é muito perigoso. Mas, graças a Deus e S. José, que nunca nos deixou de valer, nunca nos aconteceu nada de mal.
 |
| Paus no leito do Rio - Perigo! |
De manhã cedo, já estávamos de novo no meio do grande Rio. O dia amanheceu frio e com muita cerração que era difícil a visibilidade para conduzir o barco. Mas os nossos heróis estavam atentos a tudo. E seguimos viagem, parando em alguns lugares para as necessidades básicas (o barco não tinha banheiro!) e algumas visitas. Estamos para chegar em Santa Rosa, mas a ansiedade era tão grande que parece que o rio esticou seus braços para demorar mais ainda a viagem.
Mais uma vez, a noite caiu e nos surpreendeu dentro do rio e nada de ver as luzes da cidade acesa. Finalmente chegamos por volta das 19:00h em meio a escuridão. Fomos para a Casa Paroquial, onde o Pe. Valdemir nos acolheu com muita atenção. Aí fizemos algumas visitas a amigos e conhecidos, assim como os hermanos da fronteira do Peru e os Indígenas Jaminaua que moram na aldeia do Estirão, acima de Sta. Rosa.
 |
| Em Sta. Rosa, visita a casa das Irmãs (Ir. Percília SMR) |
 |
| Pe. Valdemir (Pároco) e Pe. Sá (visita) |
 |
| Almoço da casa de amigos |
 |
| Visitando a fronteira e los hermanos peruanos |
 |
| Aldeia Indígena Jaminawa do Estirão |
Depois de um dia na cidade, nos despedimos e começamos nossa maratona de baixada. Depois de algumas paradas para visitas, chegamos de novo, a noite, no Cruzeiro na casa do Laércio e da Neuza. Desta vez foi só pra dormir.
De manhã, após o café, nos reunimos na areia da praia, ao lado do barco e fizemos uma oração, agradecemos a Deus os momentos que passamos juntos, as famílias que visitamos e pedimos uma boa viagem de volta, nos despedimos e embarcamos.
 |
| Despedida na casa do Laércio e Neuza |
Paramos ainda na Comunidade S. Francisco, na Colônia Balbino, para celebrar os sacramentos da Missa e Batizados, pois a Comunidade estava avisada e esperando o Padre. Então paramos e realmente, o povo estava aguardando.
 |
| Missa na Comunidade São Francisco - Balbino |
 |
Entrega dos Evangelhos e da
Colher-medida de Soro Caseiro da Pastoral da Criança |
Depois das celebrações, o momento para a foto oficial da Comunidade, em seguida foi servido almoço e depois, descemos o barranco e seguimos viagem.
 |
| Foto oficial da Comunidade - Balbino |
 |
| Almoço |
Viajamos o resto do dia inteiro e, mais uma vez, fomos surpreendidos pela noite. Paramos e pernoitamos no Oiapoque, abaixo da escola. Eu, a comadre Lourdes e sua filha Ana Cristina, que viajam conosco, subimos e fomos dormir "em terra".
No dia seguinte, saímos cedo e cedo chegamos na Santa Cruz Velha, casa do Ribamar e da Mimosa, onde vou ficar. O Padre com o barco segue viagem e eu fico pra continuar a missão, agora nas comunidades da Paróquia de Manoel Urbano.
Aqui na Comunidade S. Francisco, fiquei o final de semana, acompanhei um evento que houve no sábado: torneio de futebol, distribuição de roupas usadas e brinquedos para as crianças. No Domingo, fomos celebrar na casa da D. Maria Salomão, uma senhora que está doente e não poderia vir para celebração, caso fôssemos celebrar na Escola. Estão reunimos o povo daqui e fomos para lá.
 |
| Celebração na casa do Sr. Salomão |
Na segunda feira, fui para o roçado com a Mimosa e o Ribamar, arrancar macaxeira para tirar goma e trazer pra casa. Foi uma experiência muito boa que me fez recordar o tempo em que nós, Irmãs, aqui em MU, fazíamos nossa missão também assim no roçado junto com as mulheres. Além de fazer Missão, ainda ganhava o pão de cada dia. No roçado, colhíamos arroz, descascava macaxeira para fazer a farinha e, no tempo do verão, quando se formavam as praias, o povo plantava feijão e, no tempo da colheita, a gente ia ajudar colher para ganhar o nosso bocado.
 |
| No roçado, bebendo na fonte |
 |
| Ribamar arrancando macaxeira |
 |
| Nós descascando macaxeira para tirar goma |
 |
Lavando a massa para tirar a goma
(Pense numa coisa para dar trabalho!!) |
A tarde, fui na Escola visitar e falar aos jovens alunos do Ensino Médio. Mas esqueci de registrar o momento. Só lembrei depois, mas não houve mais tempo. Fui para casa e no final da tarde testemunhei um dos espetáculos mais belos que já vi: Daqui da varanda da casa, contemplo o por-do-sol, que é estupendo. Nele, contemplo e louvo o meu Criador nestas cores esparramadas pelo infinito. Obrigada, meu Senhor, meu Pai e Criador por todas as oportunidades, toda a vida vivida por ti, pelo teu Reino, pelo irmão. Sinto teu amor, por isso sou feliz!
No dia de baixar o dia amanheceu lindo. Antes de viajar, porém, fui na escola dar uma palavrinha para as crianças do Fundamental. Agora sim, lembrei de registrar.
 |
| Alunos no recreio |
 |
| Alunos estudando |
Desta Comunidade, o Ribamar foi me deixar na outra Comunidade S. Francisco, na Colônia Aracoã. Casa da minha outra comadre Matilde e compadre Antônio Guíta. Aí fiquei mais dois dias junto com a família e visitando outras famílias. A noite nos reuníamos para a oração.
 |
| Visita a família do Zé Maria e da Preta |
 |
| Na varação para visitar a Ercília |
 |
| Filha da Ercília |
 |
| Na casa da Sônia - sua netinha Verônica |
Daqui peguei uma carona até a casa da Rita e daí, de carona no Transporte Escolar, chupando limão com as crianças, até a casa da Misse, no São João. Fiquei outros dois dias nessa Comunidade, até descer para Manoel Urbano, com eles, que estavam indo para votar no segundo turno das Eleições Presidenciais.
 |
| De carona no transporte escolar com seu Marazona e as crianças |
 |
| Aninha e Preto: netos da Misse |
Enfim, em casa. Cheguei por volta das 15:00h do dia 25 de outubro, véspera do segundo turno das eleições presidenciais. Chegando, não havia ninguém, as Irmãs tinham viajado para Rio Branco a fim de cumprirem o seu dever de cidadãs brasileiras, nas urnas.
A Missão é assim, essa itinerância toda, saí sozinha e cheguei sozinha.
Deus seja louvado! Também fui cumprir o meu dever.
Mais fotos:
Nenhum comentário:
Postar um comentário